07/05/2003 10h34 – Atualizado em 07/05/2003 10h34
ROMA — O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi pediu nesta quarta-feira que seu julgamento por corrupção fosse suspenso e exortou à reintrodução da imunidade parlamentar no país.
Após apresentar-se nesta semana a um tribunal de Milão, onde negou ter subornado juízes durante uma transação empresarial nos anos 1980, Berlusconi disse que os legisladores tinham que ser protegidos de magistrados politicamente motivados.
“Não estou agindo por interesse pessoal, mas pelos da nação”, argumentou, em uma carta ao jornal Corriere della Sera.
Berlusconi, o homem mais rico da Itália, ficou aturdido na semana passada quando seu amigo e aliado político Cesare Previti foi declarado culpado num processo similar e condenado a 11 anos de prisão.
Um veredicto de culpado para Berlusconi, que pode ser anunciado na segunda metade deste ano, quando a Itália estará assumindo a presidência rotativa da União Européia, poderia levar o país a uma crise constitucional.
Muitos políticos de oposição rejeitaram a idéia de restabelecer a imunidade parlamentar, que foi removida em meio a grandes escândalos de corrupção, no início da década passada. Sem seu apoio, tal alteração na legislação seria complicada e demorada.
Enfrentando a batalha legal de sua vida, Berlusconi declarou a uma radio estatal, nesta quarta-feira, que tanto seu julgamento como a análise do recurso de Previti deveriam ser suspensos enquanto o Parlamento emenda a constituição.
Desde que chegou ao poder, em maio de 2001, a coalizão de Berlusconi vem revisando a legislação para empresas, introduzindo alterações que a oposição afirma se destinarem a livrar o premier de seus muitos infortúnios legais.
O governo nega isso, e Berlusconi disse nesta quarta-feira que havia enfrentado um ataque legal sem precedentes ao longo da última década, com magistrados realizando 470 visitas aos escritórios de sua companhia e abrindo 87 processos contra ele e seus negócios.
(Com informações da Reuters)




