07/05/2003 13h41 – Atualizado em 07/05/2003 13h41
Ao entrar no lixão de Campo Grande, na saída para Sidrolândia, a primeira visão é chocante: dezenas de pessoas correndo atrás dos caminhões que despejam todos os dias toneladas de papéis, garrafas de refrigerantes, cascas de frutas e tudo mais o que se pode imaginar. Devido à situação delicada que os catadores vivem, nossa equipe optou por não identificar os entrevistados, usando apenas o primeiro nome. Ao entrar e conhecer os catadores de lixo, algumas peculiaridades são percebidas. Uma delas é o respeito mútuo entre as pessoas. Talvez respeito seja a palavra mais importante do lugar. A falta dele pode resultar até em morte, dizem eles.
Cada catador tem seu espaço para recolher o lixo. Eles passam meio período ou o dia todo recolhendo o que pode ser reciclado. Cada ‘montinho’ tem um dono. O catador Gileno conta que quando alguém rouba um ‘montinho’ “é morte na certa”. “A gente fica trabalhando o dia inteiro, depois vem outro e simplesmente leva?”. Ele parece ter encontrado a solução para evitar confrontos. “Eu recolho meu lixo todo dia, não deixo vários dias como outras pessoas. Se, mesmo assim, alguém pegar, acho que não vale a pena perder a vida por R$ 10”. Há seis anos no lixão, Gileno sustenta mulher e uma filha de 9 anos. A esposa ajuda na renda trabalhando como doméstica, enquanto a filha passa o dia na escola.
Os catadores de lixo ganham, em média, de R$ 10 a R$ 30 por dia. Eles são unânimes em dizer que gostariam de ter outro emprego, mas sem ganhar menos do que no lixão. É o caso de Giovani, 20 anos. Ele trabalha desde os 14 anos no aterro municipal. “Gostar eu não gosto, mas não tem saída. Aqui ganho até R$ 120 por semana, não tem emprego pra ganhar isso”. Às segundas e terças ele cata lixo durante o dia e no restante da semana de madrugada. “De dia vem o lixo dos bairros, não tem muita coisa boa, à noite vem do centro, tem mais papel, latinhas(…)”.




