08/05/2003 07h52 – Atualizado em 08/05/2003 07h52
INDIANÁPOLIS — Em um passo a mais para os jornais eletrônicos e telas portáteis, um grupo de cientistas criou uma tela ultrafina que pode ser dobrada, retorcida e, inclusive, enrolada sem que os textos percam a nitidez.
O material, da espessura de três fios de cabelos humanos, mostra o texto em preto sobre um fundo cinza claro, com uma resolução similar à da tela de um computador portátil.
A tela é tão flexível que pode ser enrolada em um cilindro de 1,7 centímetro de diâmetro sem perder a qualidade da imagem.
Embora ainda não realize o sonho da criação de um jornal eletrônico de apenas uma folha, que permitiria o acesso a centenas de páginas de texto, seus criadores disseram que se trata da primeira tela de computador flexível desse tipo.
“Acho que é um grande passo, pois eliminamos um grande obstáculo na criação do papel eletrônico”, disse Yu Chen, pesquisador da companhia E Ink, de Cambridge, em Massachusetts.
A E Ink é uma das várias empresas que trabalham no desenvolvimento de “papel” para livros eletrônicos e outros aplicativos, inclusive roupas com telas de computador costuradas nelas.
Chen e sua equipe criaram a tela flexível de 7,6 centímetros de largura a partir de uma folha de aço inoxidável coberta por uma capa fina de circuitos que controlam um filme de “tinta” eletrônica.
Essa “tinta”, criada em 1997 por um cientista do Instituto Tecnológico de Massachussets (MIT), contém cápsulas diminutas de partículas brancas e pretas com cargas elétricas opostas flutuando em um líquido claro.
Quando uma voltagem negativa percorre os circuitos atrás das cápsulas, as partículas brancas se movem até a parte superior dessas cápsulas. Uma corrente positiva faz o mesmo com as partículas pretas negativas.
O olho humano mistura essas formas resultantes das cápsulas em preto ou branco em um texto disposto como uma coluna tradicional.
Atualmente, a informação e a energia chegam à tela através de cabos, mas as equipe de Chen está desenvolvendo um sistema auto-suficiente capaz de receber dados mediante conexões sem fio.
Também esperam acelerar a velocidade com a que se passa de uma página para outra na tela, do atual um quarto de segundo a 10 vezes mais rápido, a fim de poder mostrar vídeos.
Outro objetivo da equipe é fazer a tela colorida.
O trabalho de pesquisa para o desenvolvimento da nova tela é apresentado na edição da quinta-feira da revista Nature.
Aris Silzars, ex-presidente da Society for Information Display, com sede em San José, na Califórnia, disse que uma das primeiras aplicações para essa nova tecnologia poderia ser uma caderneta eletrônica que seria usada no lugar dos computadores portáteis.
No entanto, Silzars disse que as melhores aplicações da nova tela, ainda em desenvolvimento, talvez não apareçam agora.
“É muito difícil prever até onde vai tudo isso”, declarou.
(Com informações da Associated Press e da Reuters)





