09/05/2003 09h16 – Atualizado em 09/05/2003 09h16
O Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) se reúne nesta sexta-feira para discutir uma proposta de resolução que determina o fim das sanções ao Iraque.
O documento deve ser apresentado pelos Estados Unidos – com o apoio de Grã-Bretanha e Espanha – com o objetivo de suspender todas as restrições impostas ao Iraque após a invasão do Kuwait, em 1990.
A expectativa, no entanto, é de que o debate sobre a proposta provoque divisões entre os membros do Conselho de Segurança sobre qual deve ser o papel da ONU no Iraque pós-guerra.
De acordo com as autoridades americanas, um novo órgão – inicialmente liderado por Grã-Bretanha e Estados Unidos – deve decidir qual será o destino da renda gerada pela venda do petróleo iraquiano.
Papel consultivo
Com a criação do novo órgão, a ONU – que atualmente controla a receita gerada pelo petróleo iraquiano – passaria a ocupar um papel consultivo.
O correspondente da BBC na ONU, Greg Barrow, diz que não há nenhuma garantia de que outros membros do Conselho de Segurança, como Rússia e França, estejam dispostos a aceitar a proposta americana.
De acordo com Barrow, as primeiras movimentações diplomáticas indicam que as negociações para garantir a aprovação da resolução serão muito difíceis.
A reunião do Conselho de Segurança em Nova York deve ser realizada a portas fechadas e está prevista para começar às 10h30 locais (11h30 no horário de Brasília).
Impasse
Para que a resolução seja aprovada, a proposta precisa do apoio de nove dos 15 membros do Conselho de Segurança e não pode receber o veto de nenhum dos cinco membros permanentes – Estados Unidos, Grã-Bretanha, China, Rússia e França.
A Rússia tem defendido uma participação forte da ONU no Iraque para garantir legitimidade internacional à administração provisória escolhida pelos Estados Unidos.
Além disso, antes de suspender as sanções, Rússia e França querem que a ONU retome o processo de inspeção de armas no Iraque para garantir que o país não possui um arsenal de destruição em massa.
A proposta de resolução não menciona o retorno dos inspetores de armas da ONU ao Iraque, e autoridades americanas já se manifestaram contra a idéia.
Negociações
Na quinta-feira, o assistente do secretário de Estado americano Kim Holmes se encontrou com autoridades russas em uma tentativa de conquistar apoio para a proposta de resolução.
Após o encontro, Holmes disse que estava “muito satisfeito” com o resultado da reunião, mas indicou que nenhum acordo foi alcançado.
O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Igor Ivanov, afirmou que as sanções que atrapalham a ajuda humanitária ao Iraque devem ser suspensas, mas o fim das restrições econômicas depende das condições previstas nas resoluções anteriores da ONU.
A Casa Branca expressou confiança quanto às chances de a proposta de resolução ser aprovada sem grandes obstáculos.
“O presidente (americano, George W. Bush) quer que o Conselho de Segurança aja rapidamente e não há necessidade de um longo debate”, disse o porta-voz Ari Fleischer.




