15/05/2003 16h16 – Atualizado em 15/05/2003 16h16
BRASÍLIA — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quarta-feira que o governo federal vai assentar todos os trabalhadores rurais acampados no Brasil nos próximos quatro anos.
Ao discursar para três trabalhadores rurais, Lula disse que a reforma agrária do seu governo terá início com o assentamento dos trabalhadores acampados que estão há mais tempo na “fila” em busca de terras.
“Quero dizer aos companheiros acampados que vocês não perdem por ter um pouco mais de paciência, porque vamos assentar todos os acampados desse país”, enfatizou.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou o encontro com os três mil trabalhadores rurais, no enceramento do Grito da Terra 2003, para anunciar oito medidas que serão implementadas pelo governo no setor agrícola.
Lula anunciou a liberação, neste ano, de R$ 5,400 bilhões para o financiamento da safra agrícola 2003/2004.
O presidente anunciou também o aperfeiçoamento da medida provisória de refinanciamento das dívidas dos pequenos agricultores, a qualificação dos assentamentos agrícolas com investimentos de infra-estrutura e a criação de um programa de habitação rural com a construção de agrovilas para os trabalhadores e criação de um programa educacional para o campo.
Além dessas cinco medidas, Lula disse que determinou providências urgentes para atender de forma emergencial as famílias atingidas pela seca no semi-árido nordestino, com ações que vão desde a distribuição de cartões-alimentação até a disponibilização de carros-pipa para as localidades mais atingidas pela seca.
Outra medida anunciada pelo presidente foi o aumento da fiscalização ao trabalho informal e escravo no meio rural que, segundo ele, “não pode persistir em um metro quadrado sequer do território nacional.
A ultima medida anunciada pelo presidente foi a garantia de condições de segurados especiais da Previdência Social para os trabalhadores rurais.
“Não queremos tratar a aposentadoria do trabalhador rural como assistência social. É aposentadoria. Ao invés de tantos documentos, é mais fácil olhar na cara de homens e mulheres com mãos calejadas e rostos enrolados para garantir a aposentadoria”, afirmou Lula.
“Presidentes”
O clima de descontração e informalidade marcou o encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 3.000 trabalhadores rurais no encerramento do Grito da Terra 2003.
O próprio presidente fez questão de manter a simplicidade. Ao referir-se ao presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, Contag, Manuel José dos Santos, Lula disse que não ia respeitar o protocolo e, assim, iria chamá-lo de companheiro.
“Existe uma formalidade na Presidência e deveríamos nos chamar de presidentes”, disse Lula.
“Mas o mandato é só de quatro anos, a nossa amizade já tem 30 anos e vai durar mais 30. Hoje, sou presidente, amanhã seremos companheiros como sempre estivemos”, brincou o presidente.
No final da cerimônia, Lula desceu do palanque e foi abraçar os trabalhadores rurais que se apertavam para ver o presidente de perto.




