15/05/2003 09h00 – Atualizado em 15/05/2003 09h00
BAGDÁ (CNN) — Milhares de muçulmanos xiitas convergiram para Bagdá nesta quinta-feira a fim de protestar contra a administração estabelecida pelos Estados Unidos no Iraque e exigir uma participação no futuro governo iraquiano.
A maioria dos manifestantes freqüenta Al Hawza, uma escola religiosa em Najaf, uma das cidades sagradas dos xiitas, que correspondem a mais de 60 por cento da população iraquiana.
Os xiitas argumentam que foram os que mais sofreram durante o regime do Partido Baath, de Saddam Hussein, que favorecia os muçulmanos sunitas.
Os xiitas iraquianos organizados estão divididos em dois campos. Um que apóia o Supremo Conselho para a Revolução Islâmica no Iraque, liderado por Mohammed Al-Hakim e seu irmão Abdul Aziz Hakim, que participa das negociações para criação de uma administração interina.
A outra facção, mais fundamentalista, apóia Muqtadir Al-Sadr e boicotou várias reuniões com autoridades norte-americanas, incluindo a primeira, em Nasiriya.
Na terça-feira passada, Al-Hakim disse que sua organização não quer um governo secular para o Iraque porque esse não respeitaria a religião, e reivindicou “um governo democrático que respeite o Islã”.
Al-Hakim retornou ao país no sábado passado, após passar 23 anos no exílio no Irã. Dezenas de milhares de simpatizantes saíram às ruas para saudá-lo e as celebrações continuaram pela segunda-feira, quando visitou Najaf, sua cidade natal.
Autoridades norte-americanas temem que o líder xiita pressione pela instituição de uma teocracia similar à do Irã.





