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domingo, 21 de junho de 2026

Sars pode acabar com cinco milhões de empregos no setor turístico

16/05/2003 11h03 – Atualizado em 16/05/2003 11h03

(CNN) — O setor de turismo em todo o mundo poderá fechar mais cinco milhões de postos de trabalho por causa da epidemia da síndrome respiratória aguda grave (Sars), com a perda de empregos chegando a 30 por cento ou mais na China, em Hong Kong, Cingapura, Taiwan e Vietnã, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Uma nova análise da OIT sobre o impacto da Sars, combinada com a prolongada recessão econômica global e o temor de ataques terroristas, levará o número total de perda de trabalho no setor de turismo para 11,5 milhões desde o final de 2001.

A OIT disse que isso significa uma perda de um em sete postos de trabalho no setor turístico desde 2001, com nenhuma perspectiva de terminar tão cedo.

Antes da queda, havia 80 milhões de trabalhadores diretos no setor de turismo e outros 120 milhões de empregos indiretos.

A China é o epicentro da epidemia de Sars, que causou, até agora, 599 mortes em todo o mundo, incluindo 271 na China continental e 234 em Hong Kong.

Nos últimos dias, as autoridades de saúde voltaram suas atenções para o rápido aumento do número de casos em Taiwan, com 30 mortes em 238 casos confirmados.

O número de novos casos em Hong Kong caiu recentemente e a situação parece também estar estabilizada em Cingapura e no Vietnã, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Segundo a análise da OIT, mais de 320.000 trabalhos diretos no setor turístico e outros 580.000 indiretos foram perdidos este ano em Hong Kong, Cingapura, Taiwan e Vietnã.

Fonte da epidemia

Na província chinesa de Guangdong, considerada a fonte da epidemia, o número de empregos diretos eliminados chega a 285.000, além de 710.000 de trabalhos indiretos.

A OIT afirma que essas perdas de postos de trabalho representa 30 por cento do nível de emprego oferecido pelo setor de viagens.

O total para perdas diretas e indiretas no sudeste da Ásia é de 2,47 milhões de postos e de 227.000 na Oceania, principalmente na Austrália e na Nova Zelândia, representando cerca de 15 por cento nesses países.

No resto do mundo, o setor turístico enfrenta uma perda média de cinco por cento.

A OIT adverte que quanto mais longa for a queda na atividade turística, maior será a possibilidade de que alguns desses empregos desapareçam para sempre.

Segundo a organização, “viajar, comprar e jantar fora estão sendo substituídos pelo telefone ou por contatos através da Internet”.

Executivos do setor de turismo, reunidos nas Filipinas, esta semana, descreveram a epidemia da Sars como “uma crise de maiores proporções”.

O diretor regional da International Air Transport Association (IATA), Andrew Drysdale, disse que o setor tinha perdido 10 bilhões de dólares até agora neste ano, comparados com os 30 bilhões de 2002.

Muitos analistas da Ásia já fizeram suas previsões sobre o impacto da Sars no crescimento econômico e a maioria sugeriu uma perda regional de 0,3 a um ponto percentual em 2003.

A maioria das previsões tem como base que a Sars estará controlada na China até o final de junho.

Caso contrário, segundo uma análise divulgada na semana passada, “se a China não controlar a epidemia, todo o resto da região leste da Ásia passaria por uma ampla crise econômica no final de 2003”.

O diretor da empresa financeira Morgan Stanley em Hong Kong, Andy Xie, disse acreditar que a Sars teria um impacto maior no lucro das corporações que no Produto Interno Bruto dos países.

“A interrupção nas vendas poderia comprometer negócios a prazo fixo e levar empresas à falência nos próximos meses”, opinou Xie, também advertindo para grandes perdas de postos de trabalho.

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