17/05/2003 09h56 – Atualizado em 17/05/2003 09h56
BERLIM (CNN) — Em um sinal do reaquecimento nas relações entre os dois países, o chefe do governo alemão, Gerhard Schroeder, afirmou, nesta sexta-feira, que concorda com a posição dos Estados Unidos de que as sanções das Nações Unidas contra o Iraque devem ser revogadas.
Schroeder recebeu, em Berlim, o secretário de Estado norte-americano, Colin Powell.
“Nossa opinião é que as sanções não fazem mais sentido e que elas devem ser suspensas o mais rápido possível”, afirmou.
Powell, que viajou à Alemanha com um duplo objetivo – normalizar as relações estremecidas pelo novo confronto no Golfo Pérsico e conquistar apoio para o fim do embargo ao Iraque -, saudou o anúncio de Schroeder.
“Estou satisfeito com o compromisso do chanceler em agir tão rapidamente quanto nós pelo fim das sanções”, disse. “Assim, poderemos retomar o fluxo de petróleo, que irá gerar a receita que beneficiará o povo iraquiano”.
“Estamos trabalhando juntos para encontrar a fórmula de uma resolução a ser apresentada às Nações Unidas, capaz de ganhar o apoio de todos os membros do Conselho de Segurança”, acrescentou.
Apesar do apoio da Alemanha, o fim das sanções deverá motivar uma nova disputa no Conselho de Segurança.
A Rússia e a França temem que a revogação do embargo permita aos Estados Unidos assumir o controle das imensas reservas de petróleo do Iraque. Ambos defendem, ainda, a volta dos inspetores da ONU ao país do Golfo, com a missão de comprovar o desarmamento iraquiano.
Schroeder referiu-se às conversações com Powell, como “muito francas e abertas”, mas esquivou-se de comentar as divergências recentes entre Berlim e Washington.
“Foi uma troca muito aberta e amistosa de opiniões”, resumiu o chefe do governo alemão. “Nossa conversa foi muito direta, como cabe a dois amigos e aliados”.
Já Powell afirmou que as divergências foram abordadas, bem como a gravidade de suas conseqüências.
“Mas também conversamos sobre projetos conjuntos”, acrescentou, destacando a cooperação bilateral no Afeganistão, nos Bálcãs e na guerra contra o terrorismo.
Estados Unidos e Alemanha estiveram a um ponto de romper relações no final do ano passado, quando Schroeder, em campanha eleitoral, insistiu na retórica contra a guerra pretendida por George W. Bush.
A situação agravou-se depois que a então ministra da Justiça de Schroeder comparou Bush a Adolf Hitler e com declarações do líder do partido do chanceler no Parlamento, dizendo que o presidente norte-americano e o imperador romano Júlio César eram idênticos.
A viagem à Alemanha foi a escala final de um giro que levou Powell à Europa e ao Oriente Médio.




