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domingo, 21 de junho de 2026

Grupos iraquianos acusam EUA de não cumprir promessas

19/05/2003 08h19 – Atualizado em 19/05/2003 08h19

BAGDÁ — Em meio a acusações de que Washington abandonou suas promessas de delegar poderes reais aos iraquianos, o administrador norte-americano do Iraque, Paul Bremer, insistiu neste domingo que estava dando prosseguimento ao projeto de criar uma autoridade interina no país.

Entre os críticos estão membros do Congresso Nacional Iraquiano (CNI), considerado um forte aliado dos Estados Unidos, e o xiita Supremo Conselho para a Revolução Islâmica no Iraque, que ameaçou organizar uma campanha de desobediência civil.

Bremer disse durante uma visita à cidade de Mosul que se reuniria com líderes políticos iraquianos neste mês para discutir o estabelecimento de uma autoridade interina, e rejeitou reportagens da imprensa norte-americana dando conta de que o processo havia sido adiado.

“Não sei de onde vêm esses rumores porque nós não adiamos nada”, respondeu a repórteres.

O jornal New York Times afirmou que Bremer e autoridades britânicas haviam dito a líderes iraquianos, na sexta-feira passada, que tinham postergado indefinidamente um plano que permitiria aos iraquianos formar uma assembléia nacional e um governo interino até o fim do mês.

Adiamento ou não, políticos iraquianos manifestaram profundas suspeitas com relação ao uso do termo “autoridade interina” em lugar do mais forte “governo interino”.

Eles argumentam que uma “autoridade” não daria aos iraquianos o controle pleno sobre ministérios importantes e sobre a política externa.

Essa é a primeira divergência pública entre o CNI e Washington desde a queda do regime de Saddam Hussein, no mês passado.

“Uma autoridade interina é um conceito muito vago. Não tenho certeza de que um representante iraquiano iria às reuniões da Opep (Organização de Países Exportadores de Petróleo) sob esse arranjo”, observou Entifadh Qanbar, do Congresso Nacional Iraquiano.

“Nós continuaremos a dizer isso a Bremer e a exercer muita pressão. Qualquer arranjo desse tipo não funcionará. Os Estados Unidos voltarão atrás e aceitarão um governo interino”, acrescentou.

Qanbar afirmou que os Estados Unidos haviam concordado reiteradas vezes em formar um governo soberano e não apenas uma “autoridade”.

Segundo um político iraquiano, autoridades norte-americanas e britânicas haviam dito ao CNI, na sexta-feira, que a transferência de poder para uma autoridade interina se daria em etapas.

De acordo com a fonte, a autoridade assumiria, já no seu estabelecimento, a responsabilidade por algumas pastas, e, só mais tarde, receberia o controle de ministérios importantes, como o do Interior, da Defesa e das Relações Exteriores.

E o Supremo Conselho para a Revolução Islâmica no Iraque também acusou Washington de quebrar suas promessas sobre o estabelecimento de um governo iraquiano soberano.

Ahmad Khaffaji, membro do conselho, afirmou que o enviado dos Estados Unidos Zalmay Khalilzad havia feito tais promessas em conferências realizadas antes da guerra, em Londres e no norte do Iraque.

“Nós exigimos que os norte-americanos cumpram suas promessas”, reagiu Khaffaji. “Caso contrário, faremos uma campanha de desobediência civil”.

(Com informações da Reuters)

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