20/05/2003 08h05 – Atualizado em 20/05/2003 08h05
NAÇÕES UNIDAS — Os Estados Unidos estão pressionando o Conselho de Segurança das Nações Unidas a votar já na quarta-feira um projeto de resolução que suspenderia as sanções econômicas ao Iraque.
A resolução proposta, que autorizaria a coalizão liderada pelos Estados Unidos a governar o Iraque, deve ser aprovada pelo órgão, segundo fontes diplomáticas, mas ainda não está claro se Washington conquistará a unanimidade que deseja.
Rússia, França e China, que manifestaram objeções às duas primeiras versões do projeto de resoluão, estão analisando uma terceira apresentada pelos Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a Espanha na segunda-feira.
O embaixador norte-americano John Negroponte enfatizou que esse é o “texto final”.
Mesmo que não apóiem essa versão, nenhum dos três membros permanentes do Conselho de Segurança mencionou a intenção de vetá-la. Em lugar disso, os três países tenderiam a se abster – uma possibilidade levantada pelo presidente francês, Jacques Chirac, na segunda-feira.
O documento daria à ONU um papel claramente definido no processo de estabelecimento de um governo democrático no Iraque e elevaria o status do enviado da organização ao país.
Mas também deixaria Estados Unidos e Grã-Bretanha, as forças de ocupação, firmemente no controle do Iraque e de suas reservas de petróleo até que “um governo representativo e internacionalmente reconhecido” assuma o poder.
O embaixador do Paquistão na ONU, Munir Akram, ocupando atualmente a presidência rotativa do conselho, marcou uma reunião a portas fechadas nesta terça-feira para discutir o projeto de resolução — no qual podem ser feitas alterações até o momento da votação.
O conselho está tentando evitar outro racha no órgão como o gerado pelo projeto de resolução autorizando o uso da força para livrar o Iraque de armas de destruição em massa, que acabou não sendo levado à votação.
“Estamos examinando formas e meios de reconstruir o Iraque, de restabelecer a paz e a segurança no país, e a abordagem de todos os membros é em favor de um papel construtivo visando a esse fim”, disse Akram.
“Detalhes técnicos”
Mas embaixador russo na ONU, Sergey Lavrov, observou que o projeto “contém muitos detalhes técnicos”, que precisam ser estudados, e algumas questões ainda têm que ser esclarecidas, como a duração da ocupação.
O embaixador britânico, Jeremy Greenstock, manifestou esperanças de que os membros do conselho “acharão possível implementar por consenso um programa para o pós-conflito no Iraque que inclui um papel muito distinto e vital para as Nações Unidas”.
As alterações no projeto de resolução visam a acomodar as objeções de muitos países, que consideravam que a ONU estava sendo relegada a coordenar apenas os esforços humanitários.
A resolução do Conselho de Segurança que impôs as sanções econômicas ao Iraque após o regime de Saddam Hussein invadir o Kuwait, em 1990, dispõe que as medidas punitivas por ela previstas só poderiam ser suspensas depois que os inspetores da ONU certificassem que o país eliminou seus supostos programas de armas de destruição em massa.
Mas os Estados Unidos recusam-se a autorizar o retorno dos inspetores, preferindo enviar suas próprias equipes de buscas.
(Com informações da Associated Press)





