20/05/2003 15h25 – Atualizado em 20/05/2003 15h25
Pelo menos R$ 10,1milhões em negócios fechados e encaminhados ao longo da edição deste ano da Expogrande pelas empresas de maquinários agrícolas que representam as marcas Valtra e John Deere em Mato Grosso do Sul foram prejudicados pelo contingenciamento de recursos do FCO (Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste). Por falta de recursos, o recebimento de cartas-consulta foi suspenso e também a liberação de crédito até o dia 29 próximo. Além de o fundo começar a se sustentar com o retorno dos empréstimos ao bolo e passar a depender basicamente disso e de repasses do IPI (Imposto Sobre Importação), o FCO também passou a ser mais procurado, por suas taxas atrativas, o que provocou aumento da demanda a uma oferta reduzida. Reflexo dessa situação são produtores e comércio de maquinários agrícolas aflitos por alternativas que possibilitem que os compromissos firmados possam ser honrados.
Até hoje a Apoio Rural não recebeu nenhum pagamento com recursos do Fundo, que atendeu por 70% dos R$ 12 milhões em negócios fechados ao longo da feira em maquinários agrícolas, segundo o gerente de vendas da empresa, Ildeberto Cadamuro. “Temos que mobilizar todo o meio sindical e político para encaminhar essa questão porque tem equipamento que já devia estar no campo, como colheitadeiras”, afirma. Só entre abril e junho a empresa deveria ter recebido R$ 3 milhões do FCO e não recebeu nada. Os maquinários estão na loja e só serão liberados mediante quitação ou negociação de garantias com o produtor, segundo o gerente. Preocupado em relação a quem vai arcar com esse ônus, o setor espera que sejam encontradas novas alternativas, em linhas como o Finame ou Moderfrota, por exemplo.
A situação da Shark, que representa a marca Valtra de tratores e maquinário agrícola não é mais confortável. Segundo o gerente geral da empresa, Valdir Severo, dos R$ 2,5 milhões comercializados ao longo da Expogrande 70% também foram através do FCO. Com o contingenciamento dos recursos, muitos produtores ficaram preocupados em não honrar o compromisso e alguns estão pedindo devolução de valores pagos como entrada. “Agora comprei a mercadoria e vou ter que ficar com ela mesmo sem vender”, reclama o gerente.





