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segunda-feira, 22 de junho de 2026

Cirurgia poderia ajudar alguns pacientes com enfisema

21/05/2003 14h31 – Atualizado em 21/05/2003 14h31

BOSTON, EUA — Um controvertido tratamento para enfisema pulmonar poderia ajudar alguns pacientes a respirar com maior facilidade, mas, por outro lado, poderia ser prejudicial para quem apresenta um dano pulmonar extenso, afirmaram médicos nos Estados Unidos.

A operação, conhecida como cirurgia de redução de volume pulmonar, consiste em eliminar uma parte do pulmão para facilitar a respiração de quem sofre de enfisema – um mal que afeta dois milhões de fumantes e ex-fumantes nos EUA e causa cerca de 100 mil mortes por ano.

O novo estudo, apresentado na terça-feira durante uma reunião, em Seattle, da American Thoracic Society, revelou que quando o tecido afetado estava nos lóbulos superiores do pulmão, e um paciente tinha pouca capacidade para fazer exercícios, a cirurgia produziu uma melhora significativa e reduziu o risco de morte quase pela metade.

No entanto, entre os pacientes que ainda podiam fazer exercícios, embora o enfisema tivesse se espalhado por seus pulmões, a cirurgia duplicava o risco de morte.

“Os resultados proporcionam uma nova e crucial informação para avaliar os riscos e os benefícios da cirurgia de redução de volume de pulmão no tratamento de enfisema grave”, disse o pesquisador Steven Piantadosi, do Hospital Johns Hopkins.

O co-autor da pesquisa, Robert Wise, declarou que as descobertas também podem determinar que pacientes responderão bem à cirurgia e quais correm riscos de complicações.

Prós e contras

Os que apóiam a operação disseram que o novo estudo confirma sua idéia de que a cirurgia é um tratamento importante.

“A cirurgia melhora a qualidade de vida do paciente, o que acreditamos que seja o resultado mais significativo para as pessoas com enfisemas graves”, declarou Joel Cooper, da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington, em St. Louis.

“Além disso, o estudo confirma nossa prova, mais limitada, de que se pode aumentar a esperança de vida” do paciente, acrescentou.

No entanto, o estatístico James Ware fez uma advertência na New England Journal of Medicine, publicação no qual o estudo será divulgado, na quinta-feira.

Ware explicou que nos 538 voluntários que se submeteram à cirurgia, os benefícios só duraram dois anos, e a taxa geral de mortalidade não foi significativamente menor que nos 540 pacientes não operados.

Os benefícios para as pessoas com enfisema no lóbulo pulmonar superior não se fizeram patentes até que se realizou uma análise dos dados a posteriori, o que pode ser enganoso, acrescentou.

“A prova não satisfaz o padrão mais elevado” de corroboração, concluiu.

(Com informações da Reuters)

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