28/05/2003 08h50 – Atualizado em 28/05/2003 08h50
O relatório anual da Anistia Internacional, divulgado nesta quarta-feira, diz que a chamada guerra contra o terrorismo, após os atentados de 11 de setembro de 2001, tornou o mundo mais perigoso e aumentou as chances de conflito.
O grupo denunciou ainda que, em nome da luta contra o terror, os direitos humanos têm sido desrespeitados em várias partes do mundo.
Segundo o documento, “as pessoas se sentem mais inseguras agora do que em qualquer período desde o fim da Guerra Fria”.
O relatório alerta ainda para o risco de o processo de reconstrução do Iraque fracassar e o país seguir o mesmo caminho do Afeganistão, onde milhões de pessoas ainda enfrentam um futuro incerto, mais de um ano após o fim do conflito no país.
Vítimas esquecidas:
O grupo afirma ainda que a chamada guerra contra o terrorismo tem aumentado a divisão entre diferentes crenças e povos e desviado a atenção de abusos cometidos em partes do mundo que não são alvo dessa guerra.
Kate Allen, diretora da Anistia Internacional na Grã-Bretanha, disse que o grande desafio das organizações de direitos humanos atualmente é chamar a atenção do mundo para o que ela chamou de “vítimas esquecidas” e “crises escondidas”.
O relatório critica também o tratamento aos mais de 600 prisioneiros mantidos na base militar americana na Baía de Guantánamo, em Cuba, sem julgamento ou acusação formal.
Na parte do relatório dedicada ao Brasil, a Anistia Internacional afirma que o maior problema do país na área de direitos humanos são as execuções extrajudiciais.


