04/06/2003 11h08 – Atualizado em 04/06/2003 11h08
O premiê britânico, Tony Blair, rejeitou um pedido dos partidos da oposição por um inquérito independente sobre as denúncias de que o governo teria “maquiado” um dossiê sobre as supostas armas proibidas do Iraque.
Durante a sabatina semanal do Parlamento, Blair disse ainda não ter havido nenhuma tentativa por parte do governo de “passar por cima” das conclusões do serviço de inteligência, que foram apresentadas em setembro do ano passado.
“As conclusões, incluindo a referência aos 45 minutos, foram do comitê de inteligência”, disse Blair, referindo-se ao alerta de que o Iraque poderia detonar uma arma química em 45 minutos.
Essa informação, segundo uma fonte do serviço de inteligência, em entrevista à BBC, teria sido incluída no dossiê a pedido do governo.
A portas fechadas:
Apesar de ter recusado o inquérito independente, o primeiro-ministro disse que vai colaborar plenamente com as investigações de um comitê parlamentar que vai apurar as denúncias de que o governo interferiu no dossiê para fortalecer o argumento a favor da guerra.
O comitê parlamentar terá acesso a todos os documentos relevantes e poderá também entrevistar todos os envolvidos na elaboração do dossiê.
A diferença entre as duas investigações é que os trabalhos do comitê parlamentar são secretos e as conclusões são apresentadas para o primeiro-ministro e não para o Parlamento como seria o caso do inquérito independente.
Blair prometeu, no entanto, publicar um relatório com o resultado das investigações.
Apresentados como a principal motivação para o conflito que derrubou o regime de Saddam Hussein, os supostos armamentos iraquianos ainda não foram encontrados.
O governo dos Estados Unidos também vai ser investigado pelo Congresso americano sobre o mesmo tema.
Em Washington, nesta semana, o Senado abriu um inquérito para apurar se o presidente George W. Bush e seus assessores manipularam informações sobre os arsenais iraquianos.
Dossiê:
Em setembro, o governo britânico publicou um dossiê com informações de serviços de inteligência cujo intuito era convencer países do Conselho de Segurança da ONU que se opunham a uma ação armada a mudar de opinião.
O documento dizia, entre outras coisas, que Bagdá tinha a capacidade de lançar ataques químicos ou biológicos 45 minutos após a ordem presidencial ser dada.
O primeiro-ministro já havia negado ter alterado a documentação em busca de apoio à guerra. Ele disse que confia “100%” na precisão dos dados revelados.
Em entrevista ao diário The Times, o líder trabalhista no Parlamento, John Reid, disse que traidores dentro do serviço secreto britânico teriam passado a jornalistas informações falsas sobre exageros do governo.
Eles estariam interessados em reforçar a posição daqueles que ficaram contra a guerra, afirmou Reid.





