04/06/2003 08h00 – Atualizado em 04/06/2003 08h00
As emissões de gases que provocam o efeito estufa devem aumentar, em média, 10% de 2000 até 2010 nos países desenvolvidos, apesar das medidas determinadas pelo Protocolo de Kyoto para controlar essas emissões.
O alerta foi feito pela ONU (Organização das Nações Unidas) que atribuiu a culpa pelo problema às dificuldades de implementação do Protocolo de Kyoto e à recusa da maior economia do mundo, os Estados Unidos, em ratificar o acordo.
O aumento das emissões reverte a tendência observada na década de 90, quando os países desenvolvidos conseguiram reduzir as emissões de gases nocivos ao meio ambiente em 3%.
Essa queda, no entanto, aconteceu devido à redução brusca no total de emissões dos países do leste europeu, cujas indústrias enfrentaram um período de crise após a queda do comunismo.
Metas:
No mundo classificado pela ONU de altamente industrializado (classificação que exclui o leste europeu), apenas a União Européia conseguiu reduzir as emissões na década de 90.
A queda no bloco foi de 3,5%, um resultado que contrasta com o de outros países que não ratificaram o Protocolo de Kyoto.
Na década de 90 nos Estados Unidos, por exemplo, as emissões aumentaram 14%. Na Austrália, a alta foi de 18% no mesmo período.
Mesmo países como o Japão, que ratificaram o protocolo, não conseguiram cumprir a meta de reduzir emissões para os patamares de 1990. No Japão, a alta na década de 90 foi de 11%.
Recuperação:
O alerta da ONU para os próximos sete anos foi feito com base em duas perspectivas.
Por um lado, as economias do antigo bloco soviético estão se recuperando e, por outro, parte do mundo industrializado, como o Japão e os Estados Unidos, não deve registrar queda nas emissões.
“Precisaremos de políticas mais criativas e mais severas”, disse Joke Waller Hunter, secretário-executivo da Convenção da ONU sobre Mudança Climática.
O relatório da ONU será analisado por representantes de 190 países reunidos em um encontro de duas semanas na cidade de Bonn, na Alemanha, organizado pela Convenção de Mudanças Climáticas.
O encontro vai discutir maneiras mais eficazes de se implementarem as exigências do Protocolo de Kyoto, assinado em 1997.
Para se tornar obrigatório, o Protocolo de Kyoto precisa ser ratificado por países que sejam responsáveis, juntos, por mais de a metade das emissões de gases de efeito estufa do mundo industrializado.
A perspectiva da ONU é que a Rússia seja a próxima a ratificar o acordo, o que o transformaria em uma lei internacional.




