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quinta-feira, 25 de junho de 2026

Lula faz discurso emocionado no congresso da CUT

04/06/2003 13h38 – Atualizado em 04/06/2003 13h38

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso vibrante e emocionado no Congresso Nacional da CUT e chegou a chorar, ao lembrar de sua trajetória política. Em alguns momentos, o presidente parecia estar fazendo um desabafo. Principalmente quando se referiu às críticas que têm sido dirigidas ao governo:

  • O que não pode é alguém julgar uma criança que ainda está no ventre da mãe. Portanto, não vamos bater os braços nem gritar desesperados porque se pode morrer afogado desnecessariamente.

Lula recebeu mais aplausos do que protestos durante o discurso. As poucas vaias se restringiam ao grupo ligado ao PSTU e logo eram abafadas pela maioria favorável ao presidente. A situação se inverteu quando Lula disse que o governo aprovará as reformas previdenciária e tributária com tranqüilidade. Integrantes do PC do B e da esquerda do PT ligados a sindicatos do funcionalismo público engrossaram o coro do PSTU. O presidente então disse que não se preocupava com vaias.

  • Tem gente que me vaiava porque eu queria criar o PT, tem gente que me vaiava porque eu queria criar a CUT – lembrou.

E mandou o recado:

  • Em vez de alguns companheiros tão preciosos fazerem faixa contra, seria muito melhor dizer o que querem.

Entre aplausos e gritos de “Lula, Lula” da platéia, o desabafo continuou. Ele lembrou as três eleições que perdeu e disse que os preconceituosos argumentavam que não poderia ser presidente do Brasil porque não sabe falar inglês e não teria como “dialogar com o Bush”.

  • Eu estou provando que não preciso falar inglês para ser respeitado no mundo. Eu só preciso falar a língua de 175 milhões de brasileiros para ser respeitado no mundo – disse, emocionado.

Lula conclamou mais uma vez os diversos setores da sociedade à união pelo Brasil: trabalhadores, empresários, sem-terra, homens, mulheres, brancos e negros.

  • Levanto todo dia com a certeza de que vamos conseguir transformar esse país. Vamos transformar porque temos consciência da importância do país no cenário mundial e clareza das coisas que vamos fazer – afirmou.

O presidente reafirmou que fará as reformas de que o Brasil precisa e acrescentou que ninguém vai virar amigo ou inimigo dele por apoiá-las ou não. Lula afirmou ainda que “o presidente não pode perder a noção do que ele próprio espera de si e dos compromissos históricos assumidos há mais de 30 anos”.

  • Não vou esquecer de nenhuma das coisas que assumi na minha história política. Não tenho vergonha do que fui, do que sou e não terei vergonha do que serei – garantiu.

Pela primeira vez, Lula admitiu estar chateado com a falta de divulgação dos projetos do governo. Disse que ficou surpreso quando lançou o programa para doentes mentais, que poderão ser tratados em casa, e o maior destaque do noticiário foi dado para a mulher evangélica que participou do evento e citou o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, num discurso não autorizado. O episódio deixou o presidente constrangido.

Fonte: Globo News

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