06/06/2003 07h43 – Atualizado em 06/06/2003 07h43
O grupo militante palestino Hamas informou que está rompendo o diálogo com o primeiro-ministro palestino, Mahmoud Abbas – mais conhecido como Abu Mazen – em protesto contra suas declarações na cúpula da paz, em Aqaba, na Jordânia, nesta semana.
Abbas prometeu em Aqaba pôr um fim ao levante armado palestino. Ele se reuniu com o presidente americano, George W. Bush, e o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon.
Um porta-voz do Hamas disse que Abbas abriu as portas para que Israel mate palestinos quando quiser.
O primeiro-ministro tem enfrentado pressão cada vez maior de Israel e dos Estados Unidos para desarmar grupos militantes palestinos.
Resistência:
Em entrevista à BBC, nesta semana, Abdel Aziz Al-Rantisi, líder do Hamas na Faixa de Gaza, afirmou não acreditar que uma trégua seja um bom negócio e disse que “só a resistência serve” aos palestinos.
Ele disse que a trégua será ruim para os palestinos se a ocupação de seus territórios e os ataques às suas cidades continuarem.
“Abu Mazen e o seu governo estão sob a pressão de Israel, dos Estados Unidos e inclusive dos países árabes para se chocarem com o Hamas”, disse.
“Isso vai contra os interesses dos palestinos. Temos que garantir que não haja conflitos palestinos internos. É isso que nos interessa agora”, completou.
Al-Rantisi disse não acreditar na possibilidade de paz total com Israel:
“Sharon já disse que, por ideologia, segundo a Bíblia, esta terra é de Israel. Nós dissemos claramente que, segundo a nossa história e a nossa religião, esta terra é uma terra islâmica. Por que os palestinos devem aceitar o que os israelenses dizem, que esta terra é do povo judeu porque os seus antepassados tiveram um Estado aqui há 3 mil anos? Ninguém pode aceitar isso.”




