06/06/2003 14h06 – Atualizado em 06/06/2003 14h06
O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, reuniu-se esta manhã com o vice-presidente da República, José Alencar, no Palácio do Planalto. A reunião durou uma hora e meia. A audiência tinha sido pedida pelo ministro. Diante dos jornalistas, os dois se preocuparam em mostrar entrosamento.
- Nós estamos rigorosamente afinados, no mesmo barco. Assino qualquer medida posta pelo ministro Palocci, que é um craque, um homem de bem. Não tenho dúvida de que o Brasil está muito bem entregue – disse Alencar.
O ministro também foi diplomático:
- Tivemos extensa e agradabilíssima conversa sobre as necessidades de desenvolvimento do Brasil. Vocês sabem o quanto admiro o presidente José Alencar, o quanto ele tem sido importante para o nosso governo, o nosso conhecimento e para somar esforços no grande desafio do crescimento econômico que o Brasil tem neste momento – afirmou.
Indagado sobre as críticas do vice à política econômica, Palocci respondeu:
- Que críticas? Sempre considerei que as palavras do nosso vice não são críticas, mas contribuições para o debate que é necessário para o Brasil.
Pouco antes do encontro, Palocci afirmara que estava indo conversar com Alencar porque ele é seu amigo. Perguntado se daria um puxão de orelha no vice, o ministro brincou:
- Imagina eu dar um puxão de orelha no vice-presidente. Vou conversar com ele porque ele é meu amigo.
Depois de se despedir do ministro e antes de seguir para o almoço, Alencar repetiu suas críticas aos juros altos e voltou a dizer também que a decisão sobre os juros deve ser política e não técnica. Segundo ele, O Brasil precisa crescer, mas nessas condições isso não é possível. Alencar afirmou ainda que está procurando ajudar o Brasil a sair dessa situação e que a opinião sobre os juros não é só dele, mas de todo o país.
Ontem, o vice-presidente já tinha dito estar indignado com as taxas cobradas pelos bancos e chamou-as de despropositadas, surrealistas e absurdos.
Fonte: Globo News




