10/06/2003 07h46 – Atualizado em 10/06/2003 07h46
Abdel-Aziz Al-Rantissi, um dos mais importantes líderes políticos do movimento militante palestino Hamas, ficou ferido nesta terça-feira em um ataque realizado por helicópteros israelenses na cidade de Gaza.
De acordo com funcionários de um hospital na região, Al-Rantissi não sofreu ferimentos graves, mas uma mulher que passava perto do local do ataque e uma menina de cinco anos de idade morreram. Além disso, cerca de 25 pessoas ficaram feridas.
Pelo menos sete mísseis foram disparados pelos helicópteros israelenses no ataque desta terça-feira. Autoridades palestinas afirmam que o principal alvo era o carro que levava Abdel-Aziz Al-Rantissi.
No último domingo, o Hamas foi um dos três grupos palestinos – junto com a Jihad Islâmica e a Brigada dos Mártires de Al-Aqsa – envolvidos em um ataque que deixou quatro soldados israelenses mortos em um posto militar na fronteira de Gaza.
Conhecido:
De acordo com testemunhas, o carro de Al-Rantissi, um jipe, passava por uma rua movimentada de Gaza quando os mísseis foram disparados. O veículo foi atingido e explodiu.
O ministro palestino Nabil Amr condenou o ataque como um “ato criminoso” e uma “sabotagem deliberada” com o objetivo de atingir o processo de paz.
O correspondente da BBC em Gaza, James Rodgers, afirma que Abdel-Aziz Al-Rantissi se tornou nos últimos tempos um dos mais conhecidos porta-vozes do Hamas.
Na semana passada, Al-Rantissi anunciou que o Hamas estava se retirando das negociações com o primeiro-ministro palesino, Mahmoud Abbas (também conhecido como Abu Mazen), para um cessar-fogo com os israelenses.
No domingo, Al-Rantissi voltou a público para dizer que o ataque contra o posto militar israelense na fronteira de Gaza demonstrou que os palestinos estão unidos no que chamou de “trincheira de resistência”.
Significativo:
De acordo com a correspondente da BBC em Jerusalém, Barbara Plett, o ataque contra um dos mais importantes líderes do Hamas ocorre em um momento delicado e é extremamente significativo.
O Hamas esteve envolvido até a semana passada nas negociações para um cessar-fogo e, embora tenha abandonado o diálogo, exibia sinais de que estava disposto a retomar as negociações.
No entanto, o grupo palestino sempre disse que uma das condições para um acordo era o fim dos “assassinatos seletivos” contra militantes procurados pelo Exército israelense.
A exigência era uma reação à estratégia de Israel de lançar mísseis contra alvos específicos com o objetivo de matar militantes palestinos acusados de planejar atentados contra civis israelenses.
Confrontos:
Durante a madrugada desta terça-feira, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza também foram cenários de novos episódios de violência.
Perto da cidade de Jenin, na Cisjordânia, um palestino foi morto por soldados israelenses em uma operação com o objetivo de prender militantes procurados por Israel. Outros três palestinos ficaram feridos e três pessoas foram detidas.
Um pouco antes, na Faixa de Gaza, outros dois palestinos foram mortos em um tiroteio com soldados israelenses perto do assentamento de Netzarim.





