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sábado, 27 de junho de 2026

Mudança de política agrícola européia pode ajudar Brasil

11/06/2003 16h25 – Atualizado em 11/06/2003 16h25

Marcelo Torres:

Os países em desenvolvimento e o Brasil, em particular, acompanham com interesse nesta semana o debate da União Européia sobre a mudança no seu sistema de concessão de subsídios aos produtores agrícolas.

A proposta defendida pela Comissão Européia é a de que os subsídios deixem de ser pagos pelo volume da produção. Em vez disso, haveria um teto limite de ajuda para cada proprietário, com critérios a serem definidos.

Atualmente, o sistema de subsídios estimula uma produção cada vez maior, que o continente acaba não consumindo e gera um grande volume de exportações com preços mais baixos, prejudicando, na concorrência internacional, países pobres que não podem oferecer os mesmos subsídios.

Em discussões anteriores, a Europa foi relutante em mudar o modelo, mas, com dez novos países prestes a entrar na União Européia, o número de agricultores da região deve dobrar e os subsídios vão representar um custo muito maior para o bloco como um todo.

Dinheiro:

Por causa dos subsídios, a Política Agrícola Comum (PAC) custa 44 bilhões de euros (cerca de R$ 120 bilhões) ao continente anualmente, praticamente a metade do Orçamento total da União Européia.

A adminstração geral do bloco é o órgão que recebe dinheiro dos países e o redistribui para os agricultores.

Na prática, países ricos, mas com menos produtores agrícolas, acabam pagando para subsidiar países mais pobres e com um número maior de agricultores. Esses países têm pressionado pelas mudanças.

É o caso da Grã-Bretanha, Holanda e dos países nórdicos, entre outros.

Já Irlanda, Portugal, França e Grécia recebem mais dinheiro do que tem que dar ao bloco – e, portanto, tendem a ser mais relutantes quanto às mudanças.

O vice-presidente para Comércio Exterior da Confederação Brasileira da Agricultura (CNA), Gilma Viana, é cético quanto às mudanças.

“Temos que esperar o resultado das discussões. A União Européia já se reuniu outras vezes para falar sobre o assunto e nunca apresentou alterações significativas”, diz ele.

Viana afirma, entretanto, que, se a mudança ocorrer, podem haver benefícios para o Brasil a curto prazo, já que as exportações do país encontrariam menos concorrência no mercado internacional.

Na Europa, um dos maiores defensores da proposta é o comissionário agrícola da União Européia, o alemão Franz Fishler.

Na terça-feira, ele disse que “é hora de decisão”.

“Há um risco muito grande e as conseqüências de uma falha em conseguir um acordo serão seríssimas.”

A França é o país que mais se opõe à medida, mas teria concordado em ceder caso pudesse manter o sistema de subsídios para uma parcela de seus agricultores.

Entre representantes do Brasil nas negociações com a União Européia, há o entendimento de que as condições para mudança nunca foram tão propícias, por causa da expansão do bloco.

Fontes do Itamaraty acreditam que, se a Europa mudar, vai ser mais por necessidades internas de corte de gastos do que pelos apelos dos países subdesenvolvidos.

E a mudança também não sairia de graça. Em setembro, haverá uma rodada de discussões da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Cancún, no México.

A questão dos subsídios agrícolas deve dominar boa parte das negociações.

Os Estados Unidos já declararam que podem pressionar a Europa para mudar e limitar o sistema de subsídios.

A disposição da União Européia de fazer concessões poderá ser usada como moeda de troca para beneficiar o continente em outras áreas.

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