12/06/2003 15h46 – Atualizado em 12/06/2003 15h46
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, acusou os Estados Unidos de tentarem fomentar a desordem e criar divisões entre as autoridades iranianas e o povo.
O aiatolá fez sua declaração durante uma visita à cidade de Varamin, após duas noites consecutivas de protestos na capital do país, Teerã.
Milhares de pessoas foram às ruas protestar contra as autoridades religiosas e o presidente reformista, Mohammad Khatami.
Alguns manifestantes disseram à BBC que não tinham liberdade, nem trabalho, e que seus líderes entendiam sobre religião, mas não sabiam comandar um país.
Os protestos:
Houve confrontos entre manifestantes e milícias islâmicas, que foram ao local em motocicletas, armadas com correntes e cacetetes.
O aiatolá Ali Khamenei pediu às milícias islâmicas que fiquem longe do que ele chamou de “badernas”. Mas também advertiu os manifestantes que se os protestos continuarem, lidará com os envolvidos “sem piedade”.
Um correspondente da BBC em Teerã disse que muitos iranianos estão se voltando contra o presidente Khatami porque estão frustrados com a falta de progresso nas reformas políticas no país.
Durante os protestos na terça e quarta-feira, os manifestantes acusaram o presidente de ser demasiado fraco em relação aos seus rivais fundamentalistas e muito tímido na introdução de reformas no país.
Khatami é considerado um liberal do ponto de vista ideológico.
Desafiando a ação da polícia antimotim e de vigilantes que espancavam estudantes, os manifestantes gritavam slogans como “morte à ditadura” e “morte a Khamenei” – em referência ao líder supremo do país.
No Irã, críticas públicas ao líder supremo podem resultar em cadeia.
O segundo dia de protestos foi marcado por confrontos. Os manifestantes atiraram pedras e coquetéis molotov contra a polícia antimotim.
Confrontos:
Vigilantes que defendem o regime fundamentalista islâmico bateram em estudantes com pedaços de pau e perseguiram-nos de moto, do lado de fora da Universidade de Teerã.
Esse foi o segundo dia consecutivo de confrontos, depois que manifestantes foram às ruas contra a prisão de 80 estudantes que protestavam contra o projeto do governo de privatizar universidades.
O governo informou ter libertado quase todas as 80 pessoas que foram presas. Mas o ministro da Inteligência do país, Ali Younesi, disse que outras 19 permanecem detidas.
Younesi afirmou que alguns dos manifestantes agiram sob a influência de grupos extremistas de oposição que estão no exílio.
O ministro estaria se referindo a canais de TV por satélite que pertencem a grupos da oposição no exílio que estariam conclamando os iranianos a se insurgirem contra os líderes religiosos do país.
Alguns analistas acreditam que haverá mais protestos com a promiximidade do aniversário de cinco anos das violentas manifestações estudantis de 9 de julho de 1999.



