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sábado, 27 de junho de 2026

Cientista político diz que racha no PT e na CUT pode abalar reformas

12/06/2003 14h24 – Atualizado em 12/06/2003 14h24

O cientista político Gaudêncio Torquato, da Universidade de São Paulo (USP), afirmou hoje, em entrevista à Rádio CBN, que a divisão na base da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e dentro do próprio PT pode levar integrantes da base aliada a não votarem com o governo os pontos polêmicos das reformas tributária e previdenciária, como a contribuição dos inativos e a cobrança do ICMS no destino.

  • Há divisão muito grande na própria CUT, no próprio PT, e evidentemente essas divisões motivam os partidos aliados, que não se sentiriam em condições de votar todos os pontos da reforma. O alinhamento automático será prejudicado. É um movimento que tende a crescer – afirmou Torquato.

Segundo ele, a manifestação vista ontem em Brasília, contra a reforma da Previdência, “é a primeira grande cisão de massas” no governo Luiz Inácio Lula da Silva.

  • Certamente, o governo sabe que vive o momento decisivo. Aprovadas as reformas, teria condições de governar, não aprovadas, vai comprometer todo o governo – declarou.

De acordo com Torquato, “o governo tem de colocar o carro no trilho, pois as reformas são importantes para a governabilidade”.

  • A polêmica está nas questões pontuais. Há pontos muito polêmicos, como a cobrança dos servidores inativos. A base aliada do governo, composta por 360 parlamentares, tende a passar como um rolo compressor. Mas tenho dúvidas sobre isso, até porque o país começa a viver um momento de muita tensão, com uma paralisação do setor produtivo. Os jornais mostram que não foi gasto nem 1% do orçamento autorizado de 2003, ou seja, praticamente estamos vivendo uma inércia – declarou Torquato.

O cientista político considera que essa situação, aliada à pressão de servidores públicos, sindicalistas e de governadores, pode criar “um sentimento de que o governo não está conseguindo realizar tudo o que prometeu”. Mesmo assim, declarou Torquato, a imagem de Lula ainda é boa.

  • A imagem do presidente está muito acima do próprio governo – acrescentou.

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