18/06/2003 09h53 – Atualizado em 18/06/2003 09h53
SÃO PAULO – O dólar comercial segue pressionado nesta primeira hora de negociação. A moeda americana bateu a máxima por volta das 10 horas, retornando ao patamar de R$ 2,904, com alta de 1,32% sobre o fechamento de ontem. Às 10h20m, estava em elevação de 0,83%, a R$ 2,885 na compra e R$ 2,890 na venda. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abriu com ligeira alta de 0,09%. O Ibovespa marcava 13.789 pontos e volume financeiro de R$ 85 mil.
A questão política volta a preocupar os investidores, fazendo o C-Bond, título da dívida externa brasileira, cair bastante hoje. Há pouco, o C-bond registrava queda de 1,08%, a 91,50% de seu valor de face. Já o risco país, medido pelo J.P Morgan, subia 2,66%, voltando para 703 pontos-base.
Há temor de que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar evasão de dividas por uma agência do Banestado em Nova York atrase as votações no Congresso, prejudicando o andamento das reformas tributária e previdenciária. Além disso, as divergências entre PT e PSDB também causam intranqüilidade. Ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu as críticas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que em entrevista ao site do PSDB reforçou o coro para a queda dos juros e disse que os eleitores do PT deveriam estar desiludidos com o rumo do governo.
Em São Paulo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), caiu para 0,23% na segunda quadrissemana de junho, após registrar 0,28% na prévia anterior. A segunda prévia do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) de junho, divulgada ontem pela Fundação Getúlio Vargas, registrou deflação de 0,66%, contra uma taxa negativa de 0,28% na segunda prévia de maio. Foi a maior deflação desde o início da série histórica, em 1989 (confira aqui).
Ontem, o mercado operou com muita cautela e em compasso de espera pela reunião do Copom. O dólar comercial oscilou durante todo o dia, mas acabou em queda de 0,31%, cotado a R$ 2,861 na compra e R$ 2,866 na venda. A moeda americana sofreu grande pressão, principalmente pela manhã, para a formação da Ptax (média diária das cotações), que será usada no ajuste do vencimento de swap cambial hoje. Quanto mais forte fosse a Ptax de hoje melhor seria a rentabilidade para o investidor.
No sentido oposto, a moeda foi puxada para baixo por causa da expectativa de entrada de recursos captados por empresas privadas e bancos no exterior. A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) lançou ontem US$ 50 milhões em bônus de dois anos e o Banco do Brasil informou que pretende captar mais de US$ 200 milhões até julho. A Petrobras também estaria preparando uma nova emissão de US$ 500 milhões.
A expectativa de queda dos juros pautou as projeções dos investidores na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). O Depósito Interfinanceiro (DI) de julho próximo encerrou com projeção de queda de 0,11%, já considerando o resultado do Copom neste mês. A projeção para a taxa de juro ficou em 25,85%, contra os atuais 26,5%. Para agosto e outubro, a queda foi de 0,07% (25,55% ao ano) e 0,16% (24,49% ao ano), respectivamente. Não houve, no entanto, uma tendência única. Para janeiro, os contratos mais líquidos atualmente, a taxa projetou alta de 0,17%, a 23,12% ao ano.



