18/06/2003 10h50 – Atualizado em 18/06/2003 10h50
Um novo tipo de antibióticos que está em testes pode se tornar um perigo para gerações futuras, alertam especialistas.
A família de medicamentos Ramp, ainda em fase de pesquisa, age de forma parecida com o sistema imunológico. Seus defensores dizem que eles podem dificultar a vida das bactérias.
Mas outros médicos temem que, apesar de trazer benefícios para os pacientes de hoje, a nova droga poderá tornar as bactérias muito mais resistentes, diminuindo assim a eficácia dos sistemas de defesa do corpo humano no futuro.
A droga está sendo desenvolvida exatamente porque outros antibióticos já não conseguem combater as bactérias, cada vez mais resistentes.
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No futuro, temem os especialistas, pequenos cortes levarão muito mais tempo para cicatrizar e poderão até evoluir para sérias infecções, já que até mesmo a mais simples bactéria poderá se tornar resistente aos mecanismos do corpo humano.
Além disso, a incapacidade de o organismo lutar contra bactérias pode levar a doenças crônicas como problemas cardíacos e fibrose cística.
Outras drogas também poderão se tornar menos eficazes.
Para o professor Graham Bell, da Universidade McGill, no Canadá, os novos antibióticos são “um risco sério e sem precedentes” para a saúde pública.
Perigo:
Para ele, as autoridades tendem a não olhar alguns anos à frente quando concedem licenças para novas drogas.
“Eles são mal preparados para detectar até mesmo riscos graves e altamente prováveis para a saúde pública vindos da população de micróbios.”
“Em vez de descartar a possibilidade de que a resistência (das bactérias) se espalhe e evolua, nós deveríamos usar a experiência amarga que ganhamos com os antibióticos convencionais para nos prepararmos para isso”, afirmou.
Pesquisadores já estão descobrindo mais sobre como as bactérias conseguem se tornar resistentes às drogas criadas para acabar com elas.
Por se reproduzirem tão rápido, elas sofrem mutações genéticas freqüentemente, o que, ocasionalmente, equipa as bactérias com meios melhores de resistir.
Quando uma pessoa toma antibióticos – principalmente se não tomar pelo ciclo completo –, as colônias têm a chance de se estabelecer e se tornar mais fortes.
Pesquisas indicaram ainda que certos tipos de bactérias podem até trocar material genético com outras espécies – possivelmente incluindo genes de resistência – pelo simples contato próximo.


