23/06/2003 09h59 – Atualizado em 23/06/2003 09h59
Os primeiros-ministros da Índia e da China assinaram nesta segunda-feira nove acordos para reforçar as relações entre os dois antigos rivais da Ásia.
A assinatura ocorreu no primeiro dia completo da visita de Estado à China do premiê indiano, Atal Behari Vajpayee. Essa é a primeira visita de um primeiro-ministro indiano à China em dez anos.
viagem está sendo vista por analistas como uma tentativa dos dois países de melhorar as relações que esfriaram desde a guerra de fronteira em 1962.
Desde os anos 1980, 15 rodadas de negociações não conseguiram resolver a disputa de fronteira.
Cooperação
Os nove acordos foram assinados depois de mais de uma hora de conversas de Vajpayee com o seu anfitrião, o primeiro-ministro da China, Wen Jiabao.
Os acordos incluem:
aumentar a cooperação em ciência, tecnologia, comércio e educação;
facilitar as regras para vistos; estabelecer projetos conjuntos para desenvolvimento de infra-estrutura, concentrando as atenções em fontes de água e de energia;stabelecer centros culturais nos dois países.
“Espero que minha viagem à China reforce a confiança e o entendimento entre governos e povos dos dois países, promovendo ainda mais nossa cooperação”, disse Vajpayee em Pequim.
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“Acredito que a sua visita certamente terá um grande impacto no desenvolvimento ainda maior de nossas relações no futuro”, disse Wen.
A China e a Índia – cujos habitantes somados correspondem a um terço da população mundial – têm mantido relações instáveis desde a guerra de fronteira.
Vajpayee disse que atribui “alta prioridade” às relações entre os dois países.
“A Índia e a China são duas civilizações antigas que estão tentando lutar contra os desafios do presente para alcançar progressos”, disse ele, quando saía de Nova Délhi.
Arsenal:
O encontro entre os dois primeiros-ministros foi precedido de uma elaborada recepção e uma guarda de honra para o líder indiano.
O ministro de Relações Exteriores da Índia, Yashwant Sinha, disse que a ênfase nas conversas entre os dois primeiros-ministros estava mais em explorar áreas de benefício mútuo do que em tentar resolver antigas diferenças.
Os dois lados disputam grandes áreas de sua fronteira comum. A Índia sustenta que a principal razão para ter um arsenal nuclear é se defender de um ataque da China.
Também existem tensões antigas sobre a decisão da Índia de permitir que o líder espiritual do Tibete no exílio, o Dalai Lama, mantenha sua base no norte do país.
Especialistas dizem que a China tem visto com um certo mal-estar a melhora das relações entre a Índia e os Estados Unidos.
Comércio:
Em termos econômicos, as ligações entre China e Índia têm melhorado de forma dramática em anos recentes.
O comércio bilateral aumentou mais de dez vezes entre 1991 e 2002.
Embora as importações da Índia de produtos chineses seja superior às suas exportações para a China, empresários indicanos acreditam que a economia de rápida expansão da China vai oferecer um mercado cada vez mais atraente.
Jill McGivering, analista de Ásia da BBC, diz que Pequim tem um interesse estratégico em melhorar relações com a Índia.
Os chineses gostariam de agir como um contrapeso à crescente cooperação militar entre Nova Delhi e Washington, segundo McGivering.


