03/07/2003 08h05 – Atualizado em 03/07/2003 08h05
SÃO PAULO – O sonho do Santos de ser tricampeão da Taça Libertadores terminou em pesadelo no Morumbi. Nesta quarta-feira, o Peixe perdeu novamente para o Boca Juniors, desta vez por 3 a 1, e deixou escapar o título sul-americano na volta à final do torneio após 40 anos. Tevez marcou o primeiro aos 20 minutos de jogo, Alex empatou aos 30 da etapa final, mas Delgado, aos 38, e Schiavi, de pênalti aos 48, fizeram os dois gols que deram a vantagem mais do que necessária para os argentinos conquistarem o troféu da competição pela quinta vez – na Bombonera, ganharam por 2 a 0.
Ao repetir o feito de 1977, 78, 2000 e 2001, o Boca Juniors se classificou para disputar com o Milan, campeão europeu, o Mundial Interclubes, no dia 14 de dezembro em Tóquio. Ao Santos resta voltar todas as suas atenções para o Campeonato Brasileiro e tentar o bicampeonato nacional. Em terceiro lugar com 27 pontos, quatro atrás do líder Cruzeiro, enfrenta o Coritiba na Vila Belmiro no próximo domingo.
Diego foi eleito o jogador mais criativo da final e Ricardo Oliveira terminou a Libertadores como artilheiro com nove gols ao lado do argentino Delgado. Além do armador, Alex foi o único a ter boa atuação pelo Santos. O ataque foi ineficiente, somando-se ao jejum do goleador a falta de objetividade de Robinho, e o meio-campo errou muitos passes. Tevez ganhou o prêmio de melhor da partida.
Leão substitui Wellington por Nenê antes dos 30 minutos:
O Santos começou pressionando e não deixou o Boca Juniors passar do meio-campo nos minutos iniciais. Chegou até a exagerar na disposição, como logo aos 15 segundos, quando Léo deu um carrinho por trás em Villareal e foi punido com cartão amarelo. O lateral, aliás, foi o retrato do nervosismo da equipe paulista na etapa. Além da falta violenta, tropeçou na bola num ataque aos dez e deixou ela passar por baixo do seu pé para fora já aos 45.
A primeira chance do Santos foi de Ricardo Oliveira, aos três, num chute cruzado em que a bola quicou e quase enganou Abbondanzieri. Aos seis, aconteceu a melhor oportunidade do time paulista na etapa. Em cobrança de escanteio, Alex cabeceou e, com o goleiro parado, Villareal tirou em cima da linha. Melhor do time, sempre procurando armar as jogadas de ataque, Diego entrou na área aos 12 marcado por dois zagueiros, chutou para fora e caiu pedindo pênalti. Já Robinho só apareceu aos 14, numa cabeçada perto do ângulo direito argentino.
Mas o nervosismo e a precipitação atrapalharam muito o Santos. Aos poucos, o Boca Juniors conseguiu equilibrar a partida e chegar ao ataque. Aos oito, Delgado chutou de fora da área perto da trave direita de Fábio Costa. Aos 20, Alex passou do meio-campo e perdeu a bola. No contra-ataque, Delgado avançou pela direita, tocou para Ibarra e a bola chegou a Battaglia. Então começou a tabelinha que atrapalhou ainda mais a missão da equipe paulista. Tevez trocou dois passes com o cabeça-de-área, envolvendo André Luiz e Paulo Almeida na jogada, e chutou da marca do pênalti no canto esquerdo de Fábio Costa. Da meia-lua, Fabiano só assistiu ao lance.
Com a desvantagem no placar, o Santos diminuiu o ritmo e o treinador Émerson Leão fez a primeira substituição. Já aos 29, tirou o lateral Wellington, deslocou Fabiano para a posição e colocou Nenê na armação. Mas o time continuou nervoso. Aos 32, Ricardo Oliveira esqueceu a bola, deu uma cotovelada em Villareal e não foi punido pelo árbitro. O Boca Juniors ainda assustou duas vezes antes do intervalo, com Delgado chutando cruzado aos 35 e cobrando falta aos 43. Nos acréscimos, Robinho furou quase na pequena área um cruzamento de Renato.
Em dois contra-ataques, Boca Juniors decide a partida:
O Santos voltou do vestiário da mesma maneira que terminou o primeiro tempo, nervoso e errando muitos passes. Aos três, Nenê entrou na área, driblou Schiavi e se jogou, mas o árbitro não se iludiu e deixou o lance continuar sem marcar o pênalti. Diante da incompetência dos atacantes, foi Renato cricou as melhores chances nos minutos iniciais. Arriscou da intermediária aos nove e a bola explodiu no peito de Abbondanzieri. Aos 14, chutou cruzado e Ricardo Oliveira desviou por cima do travessão. Entre os lances, aos 12, o Boca Juniors quase ampliou. Tevez recebeu de Delgado e chutou cruzado. Fábio Costa defendeu com a perna.
Leão, então, perdeu a paciência com Ricardo Oliveira e substituiu o artilheiro por Douglas aos 22. A ineficiência do ataque continuou e precisou Alex avançar para sair o gol do Santos. Aos 30, da intermediária, o zagueiro mandou a bomba rasteira no canto direito de Abbondanzieri. Aos 33, Nenê chutou e o goleiro argentino deixou a bola bater no peito pela terceira vez na partida, dando rebote que ninguém aproveitou. A equipe paulista se lançou toda à frente. Aos 38, André Luiz perdeu a bola e Delgado foi lançado. Fábio Costa saiu na intermediária e o argentino tocou com efeito de longe, deixando o Boca Juniors novamente em vantagem.
Nos acréscimos, ainda deu tempo de Fábio Costa fazer pênalti em Jerez aos 48. Descontrolados, os jogadores do Santos reclamaram muito. Fabiano tirou o cartão amarelo da mão do árbitro e Paulo Almeida o mostrou para o juiz. Ninguém foi expulso no lance, Schiavi cobrou o pênalti com força e encerrou de vez o sonho do tri do Peixe.




