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quarta-feira, 1 de julho de 2026

Após chegar ao fundo do poço, economia dá os primeiros sinais de recuperação

16/07/2003 08h31 – Atualizado em 16/07/2003 08h31

A economia brasileira parece ter chegado ao ponto máximo da desaceleração provocada pelos efeitos da crise cambial iniciada no ano passado, quando começou o processo eleitoral. A indústria e o comércio chegaram ao fundo do poço, mas já começam a surgir os primeiros sinais mais consistentes da tão esperada recuperação: as taxas de juros ao consumidor, ainda que muito elevadas, já caem de forma perceptível. Entre os comerciantes, que amargaram seis meses seguidos de queda nas vendas, o otimismo já tem um forte aumento. Na indústria, o corte de vagas chegou ao ápice , mas segundo a Fiesp a situação já deve melhorar em agosto e setembro.

COMÉRCIO – , os comerciantes estão pessimistas com o presente e otimistas em relação ao futuro. Pesquisa da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio) mostra que subiu de 44% para 50,5% o percentual de lojistas que consideram que a situação do país este ano está pior do que em 2002. Mas o levantamento mostra também que 58,4% deles esperam que os próximos 12 meses sejam melhores, ou muito melhores, para suas empresas do que os últimos 12 meses. A maioria (73,2%) confia que a inflação tende a se estabilizar ou se manter nos próximos seis meses.

INDÚSTRIA – Apesar da queda no número de postos de trabalho em junho, quando foram fechadas 4.564 empregos na indústria paulista, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) aposta que encerrará 2003 com estabilidade no nível de emprego. Segundo a economista, há espaço para que a atividade econômica e, conseqüentemente o emprego, tenham recuperação já no terceiro trimestre do ano, principalmente nos meses de agosto e setembro, prolongando-se a outubro, início do quarto trimestre.

A diretora do departamento de Pesquisas e estudos Econômicos da Fiesp, Clarice Messer, considera que as pesquisas recentes que indicam melhora na confiança do consumidor, aliadas à queda da inflação e à possibilidade de redução dos juros, são indicativos de que o segundo semestre deverá ser melhor.

CRÉDITO – Do lado do financiamento, as amarras dos juros que arrocharam o bolso de produtores e consumidores no primeiro semestre começa a mostrar sinais de afrouxamento. A queda da Selic no mês passado e a perspectiva de novas baixas na taxa básica já levaram bancos e comércio a iniciar o processo de redução dos juros

O Banco do Brasil, por exemplo, anunciou a redução das taxas de juros cobradas de microempresas e alterou-as de pós para prefixadas. O BB Giro Rápido, crédito que utiliza recursos do FAT para financiar micro e pequenas empresas, oferece hoje taxa prefixada de 3,03% ao mês. Até a semana passada, a taxa cobrada era pós-fixada (TJLP mais 2,49% ao mês, o que equivalia a cerca de 3,40% ao mês).

A queda do juro básico da economia no mês passado começou a gerar uma tendência de corte nas taxas para o consumidor. Pesquisa do Procon-SP apontou uma queda nas taxas de juros para pessoas físicas cobradas em empréstimos pessoais e no cheque especial em julho. O levantamento foi feito nos dias 7 e 8 deste mês e mostrou que nove dos 12 bancos pesquisados reduziram taxas. A queda é reflexo da redução da Selic – de 26,5% para 26% ao ano – e da crença de que o Banco Central (BC) continuará derrubando as taxas daqui para frente.

Na pesquisa do Procon-SP, a maior redução em julho ocorreu nos empréstimos pessoais. A taxa média caiu de 6,22% ao mês em junho para 6,02% este mês, com queda de 0,20 ponto percentual. As reduções mais significativas ocorreram no Unibanco (de 6,9% para 6,3%), no Real (de 6,4% para 5,9%) e no Itaú (de 6,95% para 6,6%). As menores taxas nesta modalidade são cobradas pelo BBV e pela Nossa Caixa, de 4,8% e 4,65% ao mês, respectivamente. As taxas mais altas são as do HSBC (6,5%) e do Itaú (6,6%).

No cheque especial, a taxa média foi reduzida de 9,43% para 9,27% de junho para julho, o que significa uma queda de 0,16 ponto. Os bancos que apresentaram as maiores reduções foram Real (de 9,2% para 8,9%), Itaú (de 9,8% para 9,5%) e o Santander (de 9,75% para 9,5%). Em três instituições, as taxas estão abaixo de 9% ao mês: Real (8,9%), Banco do Brasil (8,8%) e Nossa Caixa (8,75%). O BCN é o banco que opera com a maior taxa, de 9,75% ao mês, seguido de perto por Santander, Itaú, Bradesco e HSBC, todos com 9,5%.

Das 12 instituições pesquisadas pelo Procon-SP, três não reduziram suas taxas até o dia 8 de julho: HSBC, Caixa Econômica Federal e BBV. Nenhuma elevação foi verificada na pesquisa.

Fonte:Globo News

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