16/07/2003 10h00 – Atualizado em 16/07/2003 10h00
São 450 famílias à espera de um destino. A justiça mandou desmontar até quarta-feira o acampamento à beira da estrada, em Sandovalina. Os sem-terra aceitam sair. Mas querem ir para outra área pública. E o Departamento de Estradas e Rodagem se nega a levá-los.
O número crescente de acampados no Pontal do Paranapanema preocupa os prefeitos da região. Hoje, 18 deles foram a São Paulo pedir ajuda. Do governo do estado de São Paulo, os prefeitos levaram para o Pontal do Paranapanema a promessa de que, na semana que vem, vão começar a receber reforço na cota de remédios dos postos de saúde e na merenda escolar. Assim, eles vão pelo menos tentar atender a demanda extra criada pelas 30 mil pessoas acampadas nos 16 municípios da região.
Hoje, a UDR acusou o ministro do Desenvolvimento Agrário de estar criando a indústria do acampamento. Em visita ao Pontal, o ministro Miguel Rossetto disse que a prioridade é assentar as famílias acampadas.
“Uma posição infeliz e irresponsável de um ministro que deve estar sofrendo das faculdades mentais. O ministro está totalmente despreparado para ocupar esse cargo”, atacou Luiz Nabhan Garcia, presidente da UDR.
O secretário de Justiça de São Paulo, Alexandre de Moraes, diz que uma lei estadual criou critérios para os assentamentos e que seria ilegal dar prioridade aos acampados. No Pontal do Paranapanema, o secretário diz que a meta é dar terra, até o fim deste ano, para 1,4 mil famílias – mas só as já cadastradas:
“Nós vamos seguir a lei, e ela exige estes requisitos. Conseqüentemente, não é possível se cadastrar assentar as pessoas que estão chegando agora de outros estados e outros municípios.”
Em Brasília, o ministro Miguel Rossetto preferiu não responder às acusações da União Ruralista, e disse que, no Pontal do Paranapanema, os critérios de assentamento serão negociados entre o Incra e o governo paulista:
“Estamos trabalhando positivamente juntos, governo federal e governo de São Paulo, no sentido de avançarmos na solução das questões fundiárias do Pontal”, disse o ministro.
Fonte:Jornal Nacional




