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quarta-feira, 1 de julho de 2026

Permanência no Iraque frustra soldados dos EUA

16/07/2003 08h38 – Atualizado em 16/07/2003 08h38

Sob constantes ataques dos iraquianos, os soldados da 3ª Divisão de Infantaria dos EUA na turbulenta cidade de Falluja ficaram profundamente chocados na terça-feira pelo anúncio de que eles vão permanecer na cidade por tempo indeterminado.

  • É um grande choque – disse o sargento Josh Holt, do Alabama, que planejava voltar aos EUA em julho ou agosto, conforme anúncio anterior do comando militar americano.

A 3ª Divisão foi a primeira a entrar em Bagdá durante a guerra. Seus soldados estão na região do Golfo desde setembro, e 37 deles já foram mortos desde o começo do conflito. Os ataques partem do deposto regime de Saddam Hussein, de gangues armadas ou de parentes de iraquianos mortos na guerra.

  • Está sendo duro. Precisei levar para casa um menino de 7 anos cujo pai foi morto em um tiroteio. A família só chorava. Tenho certeza de que vão tentar se vingar. É assim que funciona no Iraque – afirmou Holt.

Após receberem várias promessas de que voltariam em breve para casa, os soldados da 3ª Divisao se mostraram muito frustrados com a notícia de que as esburacadas ruas de Falluja continuarão sendo seu lar.

  • Ouvimos três vezes a notícia que iríamos para casa em um par de meses. Não é uma boa hora para anunciar isso. Estamos desmotivados – afirmou o sargento Chris Grisham, do setor de inteligêcia militar.

Não é o que diz o comandante da divisão, general Buford Blount. Segundo ele, toda a unidade, inclusive ele próprio, está pronta para partir, mas precisa ficar até completar sua tarefa.

  • Esses soldados estão aqui há quase dez meses, depois de treinar duro no deserto durante seis meses. Eles estão fazendo um trabalho difícil – afirmou o general à Reuters Television. – Mas eles estão fazendo um bom trabalho aqui. O moral está elevado. Estamos tentando tirá-los daqui, mas eles precisam continuar concentrados na missão.

A 3ª Divisão de Infantaria tem a difícil tarefa de estabilizar o Iraque, controlando cidades como Falluja, onde existe forte sentimento antiamericano e os ataques são quase diários. As tropas estão treinando iraquianos para policiarem a cidade, mas mesmo esses novos policiais exigem a retirada americana. Nesse clima, também os iraquianos ficaram revoltados com a informação de que as tropas vão permanecer na cidade.

  • Fervemos por dentro quando vemos esses soldados americanos passando. Não há segurana aqui. Se eles permanecerem, vamos lutar com nossas armas – disse Ahmed Abdel Razak, fumando seu cachimbo no mercado lotado.

Nesse momento, um homem parou seu carro para contar a Razak, muito feliz, que um tanque americano havia sido atacado.

As vezes, os soldados dos EUA param suas patrulhas para tentar conquistar a simpatia dos iraquianos, mas a campanha de relações públicas freqüentemente se transforma em uma guerra verbal em torno de assuntos como o fornecimento de água e eletricidade.

  • Espero que enquanto eu receber correspondência e possa fazer alguns telefonemas para casa eu sobreviva – disse o soldado Torrence Gilliam, da Carolina do Sul.

Alguns militares dizem que a demora em partir está causando problemas em sua vida pessoal.

  • A decisão de ficar está provocando muitas crises conjugais. Estou tentando ser otimista, pensando que vou sair daqui em um instante – disse o soldado Christian Maldonado.

Na vizinha cidade de Habbaniyah, os soldados da Terceira Divisao também estavam inconsoláveis.

  • Senti um nível de desespero que nunca havia sentido antes na vida. Foi como ser nocauteado por um soco – disse o sargento Eric Wright.

Fonte: Globo News

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