16/07/2003 13h37 – Atualizado em 16/07/2003 13h37
A paridade para os atuais servidores (reajustes salariais equivalentes para ativos e inativos) virou o ponto principal de discórdia entre líderes da base aliada, governadores e o próprio governo, que não a incluía na proposta original de reforma da Previdência. Os governadores não concordam com a idéia, mas o relator da comissão especial da reforma, deputado João Pimentel (PT-CE), informou nesta quarta-feira que a paridade para atuais servidores foi incluída no texto que será apresentado amanhã na Câmara. Reunidos num café da manhã nesta quarta, os representantes dos partidos aliados no Congresso fecharam questão sobre o tema e mantiveram a defesa da paridade e da integralidade.
O ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, disse que a paridade está sendo afinada com os governadores. Ao ser perguntado se ele a estava descartando, já que os governadores anunciaram ser contra, o ministro respondeu:
- Isso você está presumindo.
Em reunião ontem com o chefe da Casa Civil, ministro José Dirceu, e líderes da base aliada, os governadores que representavam as cinco regiões do país admitiram a integralidade, mas se manifestaram contra a paridade.
- A integralidade é boa para todos, mas a paridade não – chegou a dizer um governador, que pediu para não ser identificado.
Esse mesmo governador informou que seus colegas saíram do encontro esperançosos de que o presidente Lula convença o Congresso a derrubar a paridade.
- A paridade engessa a política de recursos humanos do governo – teria dito Dirceu, segundo esse governador.
A caminho de um encontro com parlamentares do PT, nesta quarta, Berzoini lembrou que caberá ao presidente a palavra final sobre a reforma. A questão só será definida amanhã, numa reunião com Lula e o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, antes da leitura do relatório da reforma da Previdência, no Plenário da Câmara.
O deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), vice-líder do governo, informou que na reunião na casa do presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), o ministro José Dirceu descartou o atendimento das reivindicações da CUT. Segundo ele, Dirceu as considerou inviáveis. A CUT defende a elevação do teto de benefícios da Previdência de R$ 2.400 para R$ 2.700 e o aumento do limite de isenção para a taxação dos servidores púbicos inativos de R$ 1.058 para R$ 1.300.
Mais cedo, o relator José Pimentel admitiu estar estudando as propostas da CUT. Mas o líder do governo na Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), revelou que elas sequer foram discutidas pela base e dificilmente estarão no relatório.
Fonte: Globo News




