24/07/2003 11h06 – Atualizado em 24/07/2003 11h06
PARA MEDITAR – O URSO FAMINTO
Certa vez, um urso faminto perambulava pela floresta em
busca de alimento. A época era de escassez. Porém, seu
faro aguçado sentiu o cheiro de comida e o conduziu a um
acampamento de caçadores. Ao chegar lá, o urso,
percebendo que o acampamento estava vazio, dirigiu-se
para uma grande fogueira, ainda ardendo em brasas e dela
tirou uma enorme tina de comida.
Quando a tina já estava fora da fogueira, o urso a
abraçou com toda sua força e enfiou a cabeça dentro
dela, devorando a comida. Enquanto abraçava a tina,
começou a perceber algo lhe atingindo. Na verdade, era o
calor da tina que o estava queimando. Ele estava sendo
queimado nas patas, no peito e por onde mais a tina
encostava.
O urso nunca havia experimentado aquela sensação;
interpretou as queimaduras pelo seu corpo como uma coisa
que queria lhe tirar a comida. Então, começou a urrar
muito alto. E, quanto mais alto rugia, mais apertava a
tina quente contra seu imenso corpo. Quanto mais a tina
quente lhe queimava, mais ele apertava contra o seu
corpo e mais alto ainda rugia.
Quando os caçadores chegaram ao acampamento, encontraram
o urso, praticamente sentado, recostado a uma árvore
próxima à fogueira, segurando a tina de comida. Ele
tinha tantas queimaduras que o fizeram grudar na tina e,
seu imenso corpo, mesmo morto, ainda mantinha a
expressão de estar rugindo.
Quando terminei de ouvir esta historia,
percebi que, em nossa vida, por muitas vezes, abraçamos
certas coisas que julgamos ser importantes. Algumas
delas nos fazem gemer de dor; nos queimam por fora e por
dentro, e mesmo assim, ainda as julgamos importantes.
Temos medo de abandoná-las e esse medo nos coloca numa
situação de sofrimento, de desespero. Apertamos essas
coisas contra nossos corações e terminamos derrotados
por algo que tanto protegemos, acreditamos e defendemos.
Para que tudo dê certo em sua vida, é necessário
reconhecer, em certos momentos, que nem sempre o que
parece salvação vai lhe dar condições de prosseguir.
Tenha a coragem e a visão que o urso não teve. Tire de
seu caminho tudo aquilo que faz seu coração arder. Solte
a tina, solte a tina… Quando soltá-la, perceberá que
você pode libertar-se e que, com certeza, tudo vai dar
certo….



