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quarta-feira, 24 de junho de 2026

Teimosia que vale ouro em Santo Domingo

06/08/2003 08h20 – Atualizado em 06/08/2003 08h20

SANTO DOMINGO – O brasileiro Hudson de Souza ganhou ontem a primeira medalha de ouro para o Brasil nos Jogos Pan-Americanos. Foi também a primeira vitória do país nos 5.000m na história do Pan. Seu tempo (13m50s71) não foi bom, o nível da prova não estava tão alto, mas o brasiliense, de 27 anos, não cabia em si de felicidade no Estádio Olímpico Juan Pablo Duarte. Até porque a sua participação na prova foi por acaso. Ele contou que não havia ninguém do Brasil inscrito e ninguém com o índice. Mas ele pediu ao técnico Luiz Alberto de Oliveira para correr mesmo assim. Deu muito certo.

— Estou vendo que minha prova é a de 5.000m — brincou o atleta, cuja especialidade é a de 1.500m. — Mas se quiser ir melhor nela e me especializar, tenho de treinar muito mais, pois com esse tempinho não vou a lugar algum em nível internacional. De qualquer forma, foi um privilégio ganhar o primeiro ouro para o Brasil. Para ser sincero, a prova foi fácil. Superei alguns problemas e corri bem.

Para completar a festa, o brasileiro Marilson Gomes dos Santos, inscrito na prova também em cima da hora, conseguiu a medalha de bronze: 13m56s90. Mas não ficou nisso. Na véspera de completar 26 anos, Marilson garantiu de seu patrocionador (rede de supermercados Pão de Açúcar), R$ 20 mil pela medalha.

A festa foi bonita, mas Hudson está com a razão ao não superdimensionar o resultado. A marca dele, por exemplo, foi inferior à do brasileiro Elenilson da Silva, nos Jogos de Winnipeg, que obteve a medalha de prata com 13m43s13. Aliás, nos quatro Pans anteriores, o Brasil conseguira três pratas, com atletas fazendo tempo melhores do que Hudson em Santo Domingo.

O mexicano Sergio Galván, com 13m52s91, ficou com a segunda colocação. Por sinal, o México não perdia a hegemonia da prova desde 1979.

Hudson foi elegante ontem. Pegou a bandeira da República Dominicana e comemorou junto ao público local, que, é claro, o aplaudiu de pé. O atleta — bronze nos Jogos de Winnipeg nos 1.500m e campeão ibero-americano na mesma prova, em 2000 e 2002 — iniciou sua carreira no handebol. O atletismo, ele começou aos 13 anos justamente para ter mais velocidade em quadra. O handebol perdeu um jogador e o atletismo ganhou um vencedor. Ele passou cinco anos treinando nos Estados Unidos e, há cinco meses, passou a treinar em Manaus. Já planejava correr os 5 mil metros, mas não imaginava que a medalha de ouro nos Jogos apressaria tal projeto.

Brasil conquista 100ª medalha no atletismo do Pan:

Se Hudson ganhou uma medalha de ouro em prova que ele não tinha qualquer esperança, imagina no sábado, quando o brasileiro correrá a prova de sua predileção: os 1.500m. O atletismo é o esporte que mais deu medalhas ao Brasil em Pan (100 com as de ontem). Hudson disputará os 1.500m no Mundial, de 23 a 31 deste mês, na França.

O esporte tem boas perspectivas em outras provas. Nos 100m, o Brasil está com dois atletas nas finais: Édson Luciano Ribeiro e Jarbas Mascarenhas Júnior ficaram ontem em segundo em suas eliminatórias. Édson obteve o tempo de 10s37, contra 10s30 do líder Sheldon Morant, da Jamaica. Jarbas conseguiu 10s52, sendo superado por Alexander Nicconnor, de Trinidad e Tobago, com 10s45. O melhor tempo das eliminatórias foi o do americano Micke Grimes: 10s08.

Já a brasileira Lucimar Teodoro obteve ontem o quarto tempo na semifinal dos 400m com barreiras (56s33) no Estádio Olímpico Juan Pablo Duarte, classificando-se para as finais de hoje. Nos 800m, as brasileiras Luciana de Paula Mendes e Christiane dos Santos também estão na final.

Fonte: O Globo

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