18/08/2003 09h05 – Atualizado em 18/08/2003 09h05
A Audiência Pública sobre o reflorestamento da região de Água Clara, realizada no dia 15 de agosto na Câmara Municipal local, cumpriu o papel de identificar gargalos e problemas do setor madeireiro no município. Esta é a opinião do deputado estadual Semy Ferraz (PT), que organizou e presidiu o evento, e que diz ser possível, a partir de agora, aplicar ações políticas para superar os problemas e evitar o esgotamento do maciço florestal. O processo de corte da área, que abrange também os municípios de Ribas do Rio Pardo e Três Lagoas, ocorre de forma deliberada, devido à existência de uma indústria de beneficiamento de madeira, e não há estímulos ao reflorestamento.
A industria madeireira do município tem entre 40 e 50 serrarias em funcionamento, e emprega cerca de 50% da mão-de-obra ativa da localidade, o que torna a situação econômica da cidade inteiramente dependente da atividade. Uma das principais conclusões a que chegaram os debatedores foi que o setor madeireiro local não tem condições de empreitar a tarefa de reflorestar sozinho. “Reflorestamento é uma questão de investimento de longo prazo, e para isso o poder público precisa assumir a responsabilidade. O Brasil tem condições de fazer esses investimentos, através do BNDES, que tantas vezes financiou privatizações e dívidas, basta redirecionar os recursos”, afirmou Semy.
O deputado destacou que o Brasil, incluindo Mato Grosso do Sul e, em particular, a região de Água Clara, está vivendo um “apagão florestal”, e não se pode ter a ilusão de que o setor privado vai investir num negócio de risco e de longo prazo como o reflorestamento. “Precisamos de dinheiro público para cumprir esse papel, e temos tecnologia suficiente para fazer um reflorestamento economicamente viável e ambientalmente sustentável”, continuou. Segundo ele, o papel da Câmara Setorial da Floresta (da Seprotur), que esteve presente na audiência, é fundamental devido à sintonia com o mercado de madeira no País e no Estado. “Afinal, não adianta plantar madeira para a qual poderá não haver mercado em cinco, dez ou quinze anos”, frisou.
Entre as diversas propostas apresentadas pelos participantes, a principal foi a criação de uma comissão especial dentro da Câmara Setorial para discutir especificamente o caso de Água Clara, composta também por representantes da prefeitura, da Câmara Municipal, dos madeireiros e donos de serrarias do local. Semy acredita que, com a consolidação da proposta, a Assembléia Legislativa terá cumprido um importante papel ao aprovar e realizar a audiência. “Enquanto deputado estadual da região, estou à disposição para debater juntamente com a comissão de Água Clara, buscando a solução desse problema tão grave que ameaça a população local e sinaliza um grande desastre em cinco ou dez anos”, concluiu.




