18/08/2003 15h13 – Atualizado em 18/08/2003 15h13
A Comissão Especial de Avaliação da Educação Superior, criada pelo Ministério da Educação para propor as mudanças do provão, tem até o próximo dia 27 para apresentar ao ministro Cristovam Buarque um novo modelo de avaliação da universidade brasileira.
Segundo a assessoria de imprensa do MEC, Cristovam não anunciou o fim do provão, como foi informado pela imprensa. Ainda de acordo com o ministério, a avaliação não vai acabar, e sim modificar o seu formato, como tem sido dito desde a aplicação do último provão, em junho desde ano.
Em palestra realizada no mês passado na reunião da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), em Recife, o ministro disse que algumas pessoas sentirão saudade do provão. “Pior do que a avaliação é não ter avaliação. Vamos ser ainda mais rigorosos e tem gente que vai ter saudade do provão”, afirmou.
A avaliação dos cursos de ensino superior é elaborada pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), do MEC, mesmo órgão responsável pelo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).
Especialistas:
Em matéria publicada no caderno Fovest da Folha sobre as propostas de mudanças do governo federal para a educação, alguns especialistas comentaram o que acham e o que esperam do novo formato do provão.
Para Eunice Ribeiro Durham, ex-secretária de Educação Superior do MEC e pesquisadora do Nupes (Núcleo de Estudos sobre Ensino Superior) da USP (Universidade de São Paulo), “a melhor forma para dizer que um processo não está bom é mostrar que ele não está dando resultado.”
Segundo ela, o provão é o único instrumento homogêneo para a avaliação dos cursos superiores. “A análise da ACE [Avaliação das Condições de Ensino], por exemplo, varia conforme a comissão que visita a instituição de ensino. Ela é uma complementação ao provão, mas não o substitui.”
Já para Mario Sergio Cortella, colunista da Folha, doutor em educação e professor da pós-graduação em educação da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), “o sistema vem se constituindo em algo que avalia apenas o estudante que está saindo da universidade, o que não altera formação dele. Eu costumo usar o exemplo: a avaliação deve ser diferente de uma necropsia, que estuda a causa de morte, e similar a uma biópsia, que analisa o organismo ainda vivo.”
Assim, segundo Cortella, para beneficiar quem está entrando e quem já está na universidade, é necessário criar um sistema de avaliação.



