23.7 C
Três Lagoas
segunda-feira, 6 de julho de 2026

Lula diz que América Latina precisa evitar que a Alca se transforme em instrumento sufocador

25/08/2003 17h06 – Atualizado em 25/08/2003 17h06

LIMA, Peru – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu nesta segunda-feira o IV Fórum Empresarial Brasil-Peru e disse ter percebido há muito tempo que os países da América Latina não têm uma política de integração mais efetiva e mais forte porque muitas vezes estão de costas para os outros e esperando

iniciativas da Europa e dos Estados Unidos. O presidente disse que isso prejudica o desenvolvimento dos países latino-americanos, que neste momento precisam de entrosamento para evitar que a Alca se tranforme num instrumento sufocador das possibilidades de crescimento da região.

Para exemplificar a falta de integração na região, Lula disse que é mais fácil os empresários ou governamentes sul-americanos irem para a Europa ou para Miami do que fazerem negócio na própria região porque não existe integração física, citando a falta de investimentos nas malhas rodoviária, hidroviária e aérea.

  • Esses mercados (Europa e EUA), por serem muito disputados, criam determinados obstáculos que nos tornam menos competitivos. Não é possível que o Peru tenha quase três mil quilometros de fronteira com o Brasil e esteja tão distante do Brasil. É preciso criar uma nação sul-americana. Temos de nos unir. Estou convencido que quanto mais políticas comuns

tivermos, quanto mais entrosamento os empresários tiverem, quanto mais entrosamento os trabalhadores e políticos tiverem na região, teremos condições de fazer grandes negociações, sobretudo para tentar quebrar as barreiras protecionistas na Organização Mundial do Comércio e não permitir que a Alca se transforme num instrumento sufocador das nossas possibilidades

de crescimento, mas que seja uma oportunidade de termos uma relação comercial política e cultural mais harmônica, na qual ninguém precisa levar vantagem sobre os outros.

Lula lembrou que o grupo formado para promover a integração dos países da região já apresentou 24 projetos de investimentos em infra-estutura, mas frisou que, se depender apenas de recursos públicos, não há como executar os projetos.

  • O orçamento de um país é como o salário do trabalhador, passamos 30 dias trabalhando e quando recebemos o salário no fim do mês percebemos que não dá para pagar tudo aquilo que planejamos. Não dá para esperar que alguém nos adote e ajude a América do Sul a se desenvolver. Está na hora de pensarmos

no que os governos de nossos países podem fazer. O desafio está lançado para os empresários. Precisamos parar de ser pessimistas e acreditar que a coisa não vai dar certo. O homem deve ser do tamanho do seu sonho. Se ele sonha pequeno, realiza pequeno. Vamos parar de achar que nós não temos condições, que nós dependemos de terceiros para dar os passos que nós mesmo precisamos dar.

Fonte: O Globo

Leia também

Últimas

error: Este Conteúdo é protegido! O Perfil News reserva-se ao direito de proteger o seu conteúdo contra cópia e plágio.