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segunda-feira, 6 de julho de 2026

Interleite 2003 reúne 470 técnicos, produtores e especialistas em produção de leite

26/08/2003 08h52 – Atualizado em 26/08/2003 08h52

“A participação dos produtores é o fator principal para o aumento da promoção de leite fluído e seus derivados, afirmou Craig Plymesser, vice-presidente da Dairy Management Inc. (DMI) , durante o 6º Interleite – Simpósio Internacional de Produção Intensiva do Leite. A DMI é a entidade responsável pelos investimentos de marketing institucional da cadeia láctea norte-americana, incluindo a famosa campanha “Got Milk?”.

O evento foi realizado nos dias 21 a 23 de agosto, no Centro de Eventos da Associação Brasileira de Criadores de Zebu, em Uberaba (MG) e contou com a participação de 470 pessoas, incluindo produtores, técnicos, dirigentes de laticínios, pesquisadores e estudantes. “Estamos extremamente satisfeitos com o resultado do evento, tanto pela qualificação do público como das palestras, marcadas pelo alto nível”, comemorou Marcelo Pereira de Carvalho,coordenador do site MilkPoint e responsável pelo Interleite 2003.

Foram abordados temas em diversas áreas técnicas, como reprodução, nutrição, sanidade, qualidade do leite pastagens e gestão de propriedades, apresentados por profissionais de alto conhecimento e experiência prática. Um dos destaques foi a palestra de José Eduardo Portela dos Santos, brasileiro radicado nos Estados Unidos e professor da University of Davis. Portela Santos abordou a implantação de programas de gerenciamento da qualidade dos alimentos nas fazendas, com o intuito de prevenir contaminações, perdas e queda no desempenho.

O Interleite também teve uma abordagem focada no mercado de lácteos. Além da palestra de Plymesser, analisou-se a competitividade do leite em diversas bacias leiteiras, o futuro do cooperativismo e a inserção do país no mercado internacional de lácteos.

“Kid´s and Milk”

Plymesser explicou que o trabalho da DMI foi iniciado na década de 70, a partir de contribuições voluntárias para a promoção dos produtos lácteos. Hoje, cada produtor americano contribui com 0,3 centavos de dólar por quilo de leite, totalizando 255 milhões de dólares anuais, sendo 28% investidos em campanhas de leite fluído, 28% na promoção de queijos e o restante em áreas como pesquisa e campanhas de educação infantil, responsáveis por 12% da verba. Desde o início da campanha, que ocorreu na década de 80 o consumo de lácteos aumentou 12% até 2002.

Plymesser alertou sobre o problema da descalcificação os americanos. Segundo ele, 2/3 das meninas americanas e um 1/3 dos meninos sofrem este tipo de problema. Para isso, a DMI criou uma campanha para estimular o consumo de três porções diária de alimentos lácteos, incluindo iogurtes, queijo e o próprio leite.

Em algumas escolas nos EUA, as máquinas de refrigerante estão sendo substituídas por máquinas de leite para estimular o consumo. “Sabemos que pelo menos 65% das crianças que frequentam as escolas, ganham mesada e agora têm a possibilidade de gastar o seu dinheiro com o consumo de leite”, explica.

Cooperativismo:

Segundo o diretor do departamento econômico da CBCL (Confedereção Brasileira de Cooperativas de Laticínios), Vicente Nogueira Netto o caminho para o aumento da produção são as cooperativas. “Hoje, no Brasil, 40% da captação de leite é feita pela cooperativas, cujo faturamento chega a cinco bilhões de reais anualmente. Ao todo, existem 353 cooperativas no Brasil, completa. Embora as cooperativas ainda sejam responsáveis por uma parcela significativa da captação, a participação tem caído: há 10 anos, estima-se que a cooperativas captavam 60% do leite formal do país.

Exportação:

O Brasil exportou em 2002 cerca de 40 mil toneladas de leite, o que representa 40, 2 milhões de dólares. Este ano, a exportação deve cair em função da menor disponibilidade de produto, com faturamento previsto de 30 milhões de dólares. Porém, Rodrigo Sant´anna Alvim, presidente da Comissão Nacional de Pecuária de leite da CNA, considera que o Brasil a cada ano tem se tornado mais forte neste segmento. “Desde 2000 crescemos 430%”, afirma.

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