29/08/2003 14h23 – Atualizado em 29/08/2003 14h23
BAGDÁ e NAJAF – No que pode se tornar o mais sangrento atentado no Iraque pós-guerra e um gigantesco revés para as forças de ocupação, pelo menos 75 pessoas morreram em frente a uma mesquita na cidade de Najaf, solo sagrado dos muçulmanos xiitas, que são maioria no país. Entre os mortos está um dos mais importantes líderes religiosos dos xiitas iraquianos que voltara ao país com a queda de Saddam Hussein e reunia multidões com discursos inflamados pela adoção de um regime islâmico no país. Testemunhas dizem que dois carros-bomba explodiram diante da Mesquita do Imã Ali, lugar de veneração dos xiitas que guarda a tumba do genro e primo do profeta Maomé. A explosão ocorreu por volta das 14h, justo no momento em que centenas de fiéis deixavam a mesquita após as orações de sexta-feira, dia santo muçulmano.
Nenhum grupo assumiu a autoria do atentado. Os xiitas foram duramente reprimidos durante o regime de Saddam Hussein e poderiam ter sido alvo de homens leais ao ex-ditador. A disputa interna de poder entre os xiitas, porém, também é apontada como uma possível razão do ataque. Por outro lado, este é o terceiro grande atentado no Iraque em um mês. Nos anteriores, contra a Embaixada da Jordânia e o quartel-general da ONU em Bagdá, em que morreu o chefe da missão, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, levantaram-se suspeitas de participação da rede terrorista Al-Qaeda.
A morte do aiatolá Mohammed Baqer al-Hakim, líder do Conselho Supremo da Revolução Islâmica no Iraque, foi confirmada pela família dele. Segundo a CNN, porém, seguidores dizem que estão tendo dificuldade de reconhecer o corpo.
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Aconteceu logo depois das orações. Foi um carro-bomba e até 20 pessoas morreram – disse Adel Abdul Mahdi, um representante do Conselho Supremo para a Revolução Islâmica no Iraque, em Bagdá.
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O aiatolá Mohammed Baqer al-Hakim tornou-se um mártir – disse Mohsen Hakim, que também é um alto representante do conselho, baseado em Teerã, sem dar mais detalhes.
Um porta-voz das forças americanas confirmou a explosão, mas não prestou mais esclarecimentos.
- Houve uma explosão em Najaf perto de uma mesquita. Não havia forças da coalizão na área porque aquele é considerado solo sagrado – disse o porta-voz.
Logo após o atentado, milhares de pessoas saíram às ruas de Najaf em protesto contra a insegurança no país. A situação é descrita por jornalistas no local como “explosiva”. Em entrevista recente, Al-Hakim disse que ainda não era hora de os iraquianos lançarem mão da força para dar fim à ocupação, mas que a paciência do povo estava se esgotando.
No domingo, uma bomba havia explodido do lado de fora da casa de um tio de Mohammed Said al-Hakin. O ataque deixou-o ferido e matou três de seus seguranças em Najaf. Ele estava descansando em seu quarto quando a bomba, feita a partir de um cilindro de gás de cozinha ligado a dinamite, explodiu. Líderes religiosos responsabilizaram partidários de Saddam pelo ataque.
Fonte: Globo News



