16.1 C
Três Lagoas
segunda-feira, 13 de julho de 2026

Redes anônimas esquentam guerra do MP3

23/09/2003 09h10 – Atualizado em 23/09/2003 09h10

As redes para trocas de arquivos na internet, conhecidas como peer to peer ou P2P, começam a ganhar resistência contra bisbilhoteiros. Blubster, Filetopia, Waste e outros poderão ser os primeiros de uma nova safra de programas que trazem o anonimato como arma. Eles formam redes sneaker, ou darknets, que facilitam o intercâmbio entre grupos fechados e tecnicamente impossíveis de serem identificados.

Redes virtualmente blindadas não são novidade, mas ganharam força depois que a RIAA, a poderosa associação da indústria fonográfica dos EUA, processou no começo do mês 261 usuários acusados de compartilhar músicas sem autorização. Entre os acusados estão uma menina novaiorquina de 12 anos e um avô de 71 anos que disse nunca ter feito um download.

As primeiras reações vieram do Blubster e KaZaA Lite, que ganharam um firewall chamado PeerGuardian www.methlabs.org, projetado para deter os programas espiões da RIAA. Além disso, os softwares agora escondem o IP (endereço numérico que identifica cada computador na Internet) e todos os arquivos que o usuário mantêm no micro. Eles ficam disponíveis para troca, mas ninguém vê a origem.

Sigilo – “A maior falha de privacidade nas versões anteriores era a possibilidade de consultar a lista completa de canções compartilhadas de cada internauta, o que agora pode ser desativado”, explicou o criador do Blubster, Pablo Soto, em entrevista por e-mail.

No caso do KaZaA original, por exemplo, basta um clique do mouse para aparecer na tela tudo que o usuário tem a trocar. É exatamente esse recurso que a RIAA vem utilizando para identificar e processar judicialmente milhares de pessoas. Uma notificação é enviada ao provedor de acesso e caso o indivíduo não delete os arquivos, a conexão é destituída.

Segundo Soto, a rede MP2P (sigla de Manolito Peer-to-Peer) em que o Blubster opera suporta mais de 200 mil usuários simultâneos e 52 milhões de arquivos. “A atualização do sistema oferece também um novo método de distribuição de dados, desvinculando as transferências da conta do usuário”, diz Soto. Ele se refere ao protocolo UDP (User Datagram Protocol), diferente daquele que todo mundo usa, o TCP/IP. Outros dois softs, também anônimos, usam a rede MP2P: Piolet e RockItNet.

Censura] – Não que a prática de baixar material protegido por leis de direito autoral seja defensável. O fato é que a possibilidade de esconder o endereço IP em redes peer to peer abre espaço para aplicações interessantes. “Quero uma forma segura de enviar um arquivo PowerPoint de três megabytes sem que ninguém mais possa vê-lo”, argumenta Clay Shirky, um desenvolvedor de software que leciona novas mídias na New York University.

O uso anônimo de redes peer to peer também traz implicações políticas. Foi essa a motivação de Ian Clarke quando lançou a Freenet, em 1999. A rede tem sido eficaz na disseminação de panfletagem política a países que negam liberdade de expressão. Mas também têm sido usadas para trocar conteúdo ilegal, como pornografia infantil. Para Clarke, a tecnologia, mesmo com seus contratempos, terá valido a pena se puder impedir ou combater a censura política.

Fonte:Ibest

Leia também

Últimas

error: Este Conteúdo é protegido! O Perfil News reserva-se ao direito de proteger o seu conteúdo contra cópia e plágio.