24/09/2003 09h08 – Atualizado em 24/09/2003 09h08
O Brasil não deve encerrar sua relação com o Fundo Monetário Internacional (FMI) de uma vez, segundo o analista Richard Fox, da agência internacional de risco Fitch, baseada em Londres.
Segundo ele, muitos investidores não acompanham a situação do Brasil em detalhe. Para esse tipo de investidor, a influência do FMI é um importante fator de confiança.
“A situação do Brasil, desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o governo, melhorou muito. Mas há muita gente que não acompanha o dia-a-dia das finanças brasileiras, fazendo com a que a supervisão do FMI seja importante”, disse o analista.
Desde que Lula chegou ao poder, em meio a um cenário de desconfiança em relação ao futuro comportamento de um governo petista, a inflação medida pelo IPCA caiu de 2,25% em janeiro para 0,34% em agosto.
Pagamentos
Além disso, o dólar, caiu de R$ 3,50 para R$ 2,90.
Fox lembra ainda que com o vencimento do acordo, que envolveu um empréstimo de US$ 30 milhões, o país terá de desmbolsar pesados pagamentos.
Com a garantia de uma linha de financiamento pequena, o governo brasileiro poderá a manter condições de pagamento facilitadas.
Já para Victor Bulmer-Thomas, especialista em economia latino-americana e diretor do Instituto de Assuntos Internacionais de Londres, uma alternativa sem o FMI é sempre a melhor saída.
“Um acordo com o FMI é sempre a segunda melhor alternativa. Se um país pode continuar a manter uma política responsável, que garanta o equilíbrio macro-econômico no longo prazo, sem as exigências do FMI, é sempre uma alternativa melhor”, disse ele.
Para Bulmer-Thomas, o governo Lula já demonstrou que o equilíbrio fiscal é uma das prioridades de sua gestão.
Um dos principais pontos do acordo com o FMI, a manutenção do superávit primário (despesas do governo menos os gastos com a conta de juros) foi cumprida com louvor, diz o acadêmico.
Metas
A meta inicial acordada entre o Brasil e a instituição foi de 3,75%, mas foi elevada voluntariamente pelo governo brasileiro para elevados 4,25% do PIB.
Quanto à manutenção de uma linha de financiamento junto ao fundo, mesmo que bem menor, para facilitar as condições de pagamento do atual empréstimo, Bulmer-Thomas também discorda.
“O FMI não estenderá as condições facilitadas do acordo recentemente acertado com a Argentina ao Brasil, que se encontra em melhor situação”.
Dessa forma, o país arcaria com juros mais competitivos e ainda teria de enfrentar a supervisão do fundo.
Mas, como Fox lembra, as condições do mercado internacional em dezembro, quando o assunto terá de ser decidido, poderão ser importantes para a decisão.
Se turbulências no cenário externo ou o atraso das reformas estruturais no Brasil abalarem a confiança do investidor no país, pode não restar outra alternativa ao governo senão renovar o acordo com o FMI.
Fonte:BBC Brasil




