26/09/2003 09h24 – Atualizado em 26/09/2003 09h24
Uma ferida que na maioria dos casos leva tempo para cicatrizar. Crianças e adolescentes, vítimas de abuso e violência sexual, recebem atendimento especializado de um programa que existe há dois anos em Mato Grosso do Sul.
O programa Sentinela cuida de crianças e adolescente que foram vítimas de exploração e abuso sexual. Em dois anos de atuação, foram registrados 291 casos, 117 somente de janeiro até o início de setembro de 2003. Pelo menos 205 menores vítimas de violência sexual continuam recebendo tratamento especializado.
Sigilo absoluto. A proposta do programa é preservar crianças e adolescentes que sofreram qualquer tipo de violência sexual. Os menores recebem no centro de referência, acompanhamento psicológico e social, através de um trabalho desenvolvido por profissionais.
Até por medida de segurança, eles não se identificam. Os menores agredidos, a maioria na faixa de 7 a 14 anos, ficam abrigados na própria instituição. Eles são afastados da família, devido a muitas vezes os agressores estarem dentro de casa.
De acordo com a secretária de Assistência Social em Dourados, Ledi Ferla, é preciso que essa violência seja combatida. “É preciso que a família e a escola fiquem atenta com uma mudança no comportamento da criança e do adolescente, que muitas vezes pode representar um caso”, explica.
A violência sexual dentro da própria família cresce entre índios. Em Dourados, já foram registrados 22 casos de crianças indígenas que sofreram abusos e esse número pode ainda maior. De acordo com os assistentes sociais, os índios têm maior receio em denunciar.
Esses números revelados pelo programa sentinela em Dourados se repetem em outras cidades do estado.
Segundo a gerente executiva do (Ibiss) Instituto Brasileiro Pró-Sociedade Saudável em Campo Grande, Estela Scândola, em entrevista ao Bom Dia MS, disse que o abuso sexual é crítico em todo o Mato Grosso do Sul. A exploração, que é formada por redes, é mais crítica nos meses de setembro e outubro, devido à temporada de pesca nos municípios do Estado.
A gerente ainda explicou a diferença entre abuso e exploração sexual. “Abuso são aqueles casos que acontecem no seio da família, em que não há troca de favores ou financeira. Já a exploração é aqueles casos em que as crianças são usadas para a troca financeira e atender o comércio sexual”, completou.
Para fazer denúncias de abuso ou exploração sexual é o 0800-647-1323.
Fonte:RMT online




