20.7 C
Três Lagoas
domingo, 21 de junho de 2026

Daiane sofre susto durante os treinos no Rio

30/03/2004 14h32 – Atualizado em 30/03/2004 14h32

A gaúcha Daiane dos Santos sentiu dores no dedo mínimo da mão esquerda durante treino da sua nova coreografia baseada na música “Brasileirinho” realizado na manhã desta terça-feira, no Riocentro, e gerou preocupação na equipe brasileira de Ginástica. Tanto que foi submetida logo a uma radiografia. Mas o susto passou após a constatação que trata-se de uma pequena luxação que não impedirá sua participação na etapa carioca da Copa do Mundo, de sexta-feira a domingo.

A nova coreografia baseada na música de Waldir Azevedo é criação do técnico de ginástica e coreógrafo Rhony Ferreira, que trabalha em Curitiba, com a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG). Para a nova apresentação, ele usou ritmos bem brasileiros na coreografia com a qual Daiane vai tentar a medalha de ouro nas Olimpíadas e na etapa brasileira da Copa do Mundo, de sexta-feira a domingo, no Riocentro (Barra da Tijuca).

  • Montei a coreografia pensando no biotipo de Daiane. Pensei numa música explosiva e vibrante, exaltando o que ela tem de melhor – diz Rhony.

O coreógrafo criou a nova série a pedido de Eliane Martins, supervisora técnica da CBG. Depois que Daiane ganhou o ouro no Mundial, no solo, em 2003, era preciso trocar a rumba “Para los rumberos”, que a atleta usava há quatro anos.

  • Quando vi que ela tinha muita explosão muscular, pensei em batuques, atabaques… Propus uma batucada de escola de samba, a mistura das baterias de Mangueira e Beija-Flor. A inspiração foi a Globeleza (Valéria Valenssa), que a Daiane imita muito bem. Para a Daiane, pode-se pôr qualquer ritmo. É um torpedo!

Nova coreografia tem toques de berimbau

Com essa idéia, Rhony começou a buscar outra música, para “casar” com as baterias de samba. Pensou em “Canta Brasil”, mas esta será usada em Atenas pela equipe de ginástica rítmica, Pensou em “Cidade Maravilhosa”, “As Pastorinhas” e um frevo, quando se lembrou de “Brasileirinho”. Depois, pediu a ajuda do maestro Misael e da musicista Maria Ângela Molteni, além de Bárbara Laffranchi, técnica da seleção brasileira de ginástica rítmica. A apresentação pode ter de 1m10s a 1m30s. A da gaúcha tem 1m26s.

  • No arranjo, pensamos em cuíca, agogô, berimbau, cavaquinho, violão de oito cordas e tudo que uma gringa não consiga imitar -explicou o bem-humorado Rhony, alertando que na Copa no Rio algumas atletas vão apresentar rumbas, que viraram moda.

  • Os jurados gostam de novidade. A ginástica era uma mesmice. Antes, eram as músicas clássicas da Rússia, e depois, o hip hop americano. Agora, a tendência é afro-latina.

Rhony explicou que o ucraniano Oleg Ostapenko cria em cada sequência os elementos de acrobacia e a mulher dele, Nadja Ostapenko, corrige a coreografia nos ensaios. Segundo ele, no início, Nadja temeu que não fosse dar certo.

  • É arriscado (mudar a coreografia), mas agora ela tem a empatia do público. É bem conhecida e tem brilhado no solo – disse Rhony.

Ele acha que nas Olimpíadas os árbitros serão praticamente os mesmos que estarão no Rio. Segundo ele, juízes americanos, romenos e russos costumam aprovar inovações:

  • Daiane está amadurecendo a coreografia e terá quatro meses até as Olimpíadas para os detalhes.

O treino de segunda-feira mostrou que ela está no caminho certo. Quando começou a ensaiar a nova coreografia, todos interromperam o treinamento para observá-la, principalmente as argentinas e belgas.

Daiane está se acostumando a ser celebridade. Quando perguntada sobre o assédio, disse:

  • Gosto, mas às vezes é meio chato… É estranho. Você está sendo sempre vigiada. Vocês (jornalistas) gostariam disso?

Ela sabe ser esperança de medalha, mas isso não a angustia:

  • Se eu ficar preocupada em ganhar medalhas, vou acabar errando. Disseram que houve fracasso em Atenas (no evento-teste em que ela ficou em 12º no solo). Que fracasso? Foram três competições seguidas (duas etapas da Copa e mais o evento de Atenas). Estava cansada. Nem sempre vou chegar às finais e eu sei disso.

Para a gaúcha, competir no Brasil é diferente, pela responsabilidade:

  • É outra coisa estar em casa. Dá um nervoso. Não posso errar.

Fonte:Esporte na Globo

Leia também

Últimas

error: Este Conteúdo é protegido! O Perfil News reserva-se ao direito de proteger o seu conteúdo contra cópia e plágio.