05/11/2004 10h51 – Atualizado em 05/11/2004 10h51
Globo On line
Em 11 anos ditando as ordens no Corinthians, o presidente Alberto Dualib, pela primeira vez, sente o peso de uma oposição que andava adormecida. Tudo por causa do contrato de parceria com a Media Sports Investment, que após dois meses e meio de muita discussão, será votado hoje pelo Conselho Deliberativo.
A primeira chamada será às 19h (de Mato Grosso do Sul). Antes, às 17h30m, o Conselho de Orientação e Fiscalização (Cori) analisará o contrato. À tarde, membros da diretoria irão se reunir para aprovar a redação final do contrato com a MSI. A aprovação é considerada favas contadas, já que Dualib tem sob sua influência a maioria dos 400 conselheiros. “Será uma parceria muito boa, pois dará dinheiro ao clube. Poderemos formar um time muito forte”, diz o conselheiro e médico Jorge Kalil.
Por outro lado, lideranças de peso são contra o projeto. Conselheiros como Rubens Approbato Machado, Antônio Roque Citadini, Romeu Tuma, Romeu Tuma Júnior, Wilson Canhedo, entre outros, podem, a partir de hoje, encabeçar o grupo que passará a fazer dura oposição a Dualib e tornar a eleição de 2006 acirrada.
O amplo poder do presidente sobre o órgão fiscalizador do clube se deu através de troca de favores. Dualib ainda conta com a influência de seus 12 parentes que nomeou para ocupar cadeiras no conselho. Tais manobras jamais foram questionadas pelos conselheiros, mas com a divisão provocada pela parceria, vários são os conselheiros e sócios que levantam a voz para questionar os métodos do presidente.
”A administração do Dualib foi desastrosa e, agora, ele quer deixar essa herança (MSI)”, afirma a ex-presidente alvinegra Marlene Matheus. Outro conselheiro contrário à parceria, o advogado Rubens Approbato Machado, questiona a origem do dinheiro.
”Fala-se muito, mas, até agora, ninguém sabe de onde vem esse dinheiro, quem são essas pessoas. Está tudo muito nebuloso”, comenta. Approbato vai sugerir também que a votação seja nominal, a fim de que sejam identificados os conselheiros que são a favor ou contra. Normalmente, as votações no Corinthians são feitas no sistema “senta-levanta”. Quem é contra, le$e deixa a reunião. Os favoráveis permanecem sentados em seus lugares.
A insistência de Dualib na aprovação do contrato sem dar ouvidos aos conselheiros contrários deve-se à situação financeira do clube. A maior parte dos US$ 35 milhões (cerca de US$ 20 milhões) que serão investidos pela MSI servirá para pagar dívidas.
Haverá ainda uma mesada para o setor social, responsável pela maior parte do rombo nos cofres alvinegros. Anualmente, o clube fecha seus balanços com um déficit de R$ 600 mil, dívida provocada pelo social. De acordo com o código civil, Dualib, como presidente do clube, pode ter de arcar com as dívidas do clube, comprometendo seu patrimônio pessoal.






