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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Vôlei usa psicólogos já nas categorias de base

26/03/2005 09h19 – Atualizado em 26/03/2005 09h19

Terra

Enquanto nos clubes de futebol os técnicos assumem o papel de psicólogo e “paizão”, no vôlei os psicólogos de verdade tornam-se os pais de crianças e adolescentes que saem cedo de casa e viram pessoas independentes antes mesmo de alcançar os 18 anos.A psicóloga Nair Couto, que trabalhou por quatro anos nas categorias de base do São Paulo, há seis faz parte do Esporte Clube Banespa, onde também trabalha com crianças e adolescentes.Para Nair, trabalhar com esportistas jovens não serve apenas para formar atletas responsáveis, mas também para prepará-los para serem cidadãos.”No Banespa nós temos muito esse enfoque. Geralmente eles saem muito cedo de casa, com apenas 13 e 14 anos. A gente tenta fazer tudo com coerência. Trabalhamos de uma forma aberta. Na verdade, é uma liberdade vigiada. O esporte de base é um esporte de formação. Antes de atleta, a gente quer formar o cidadão e somos os responsáveis por eles, que estão muito distantes dos pais”, explica a psicóloga.Nair lembra que os psicólogos não os únicos responsáveis pelos atletas. A comissão técnica também tem grande influência na formação e desenvolvimento dos jovens.”Todos tomam conta aqui. Por exemplo, os preparadores físicos são muito próximos dos jogadores, existem coisas que eles só contam para eles e não para mim ou para os técnicos.”Mas a rigidez dentro do clube passa longe da repressão. Saídas e até as noitadas são permitidas, mas tudo bem pensado pela equipe que toma conta dos jovens atletas.”Nós organizamos passeios, baladinha, mas eles quase sempre vão de táxi. A gente vira pai e mãe ao mesmo tempo”, diz Nair.No São Paulo, a psicóloga trabalhou com técnicos como Zetti e Marcos Vizolli e o preparador de goleiro Reuther Moreira. Segundo ela, a influência do treinador é grande em atletas jovens ou até mesmo indisciplinados. “Influencia muito, pois o técnico é um dos exemplos dos jogadores. A partir do momento que eles cobram seriedade, disciplina e profissionalismo, fazem com que o atleta se torne mais profissional. Se o técnico não exigir certos aspectos, fica complicado.”

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