01/02/2006 20h00 – Atualizado em 01/02/2006 20h00
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Muita coisa vai mudar na Fórmula 1 em 2006 no aspecto esportivo. O que se espera, no entanto, é que as corridas se tornem mais emocionantes, tanto para quem assiste quanto para quem trabalha nas equipes ou pilota os carros. Isso é dado como certo, pois a receita que entrará em vigor a partir da primeira etapa, dia 12 de março, no Bahrein, já foi testada durante muitos anos pela categoria: troca de pneus durante os pit stops de reabastecimento.No ano passado, a FIA (Federação Internacional do Automóvel, entidade que governa tanto o automobilismo quanto aspectos técnico-legais do automóvel) determinou que todos os carros deveriam realizar as tomadas de tempo e ainda correr todo o GP com um único jogo de pneus. A idéia por trás dessa restrição era a de sempre: reduzir a velocidade dos F1 ao equipá-los com pneus mais duros e resistentes, mas que gerassem muito menos aderência – fator vital para se manter a alta velocidade nas curvas. Assim, na temporada passada o que determinava a necessidade de se fazer uma parada era o tamanho do tanque de gasolina – a regra era aproveitar ao máximo o combustível e, assim, permanecer na pista sem perder tempo em pit stops. Mas para 2006 a potência do motor foi radicalmente reduzida. Com uma simples canetada, a entidade obrigou as equipes a trocar os V10 de 3 litros por outros motores com dois cilindros a menos, os V8 de 2,4 litros de cilindrada. Consequentemente, haverá muito menos força disponível para os pilotos utilizarem e, assim, os carros serão naturalmente mais lentos. A Renault anuncia potência em torno de 700 cv para seu RS 26, ou 250 cv a menos do que o motor utilizado ano passado.Isso significa que já não há mais a necessidade de se usar pneus sem aderência para forçar os pilotos a acelerar menos e, assim, tentar garantir mais segurança. Hoje, Michelin e Bridgestone trabalham para produzir pneus com vida útil de 80 a 100 quilômetros – pois deverão ser substituídos cerca de três vezes por GP – e não mais produtos com resistência suficiente para os cerca de 300 quilômetros da corrida, mais as tomadas de tempo.Como os pneus agora terão que percorrer menos quilômetros (já que serão substituídos por outros novos), sua borracha será muito mais aderente – e por isso menos, se desgastará mais rápido. Mas há outra relação: com a menor potência dos motores V8 em relação aos V10 os pilotos terão menos força para aplicar nos pneus, melhorando as condições de controle das rodas traseiras, um aspecto crítico nas saídas de curva, onde se decidem muitas brigas por posição.O retorno das trocas de pneus implicará em maior variedade de estratégias à disposição dos engenheiros, gerando a saudável incerteza a respeito dos planos para cada piloto da equipe e uma disputa mais interessante e dinâmica. Assim, a lógica das paradas será invertida: será em função do desgaste de pneus que o piloto entrará no boxe – e então aproveitará para reabastecer. Em 2006 a mais rápida deterioração dos pneus – e conseqüente diminuição na estabilidade na velocidade gerada por seu desgaste – também entra na equação. Calcula-se que uma corrida que contou com dois pit stops em 2005 deverá ter três em 2006. Assim, após estas paradas, os pilotos voltarão à pista com pneus superaderentes e ânimo renovado para reiniciar as batalhas por posição a 300 km/h que são a grande atração da F1. Os GPs serão uma série de sprints (corridas curtas em alta velocidade) encerradas e reiniciadas pelos pit stops. A distância dessas corridinhas será determinada, agora, pela duração dos pneus e não mais da gasolina.Levando tudo isso em consideração, espera-se que, em um GP típico, os novos carros de Fórmula 1 registrem tempos de volta 2,5 segundos mais lentos do que seus antecessores. Mas, com certeza, o público em geral nem vai notar isso.






