19/06/2006 16h19 – Atualizado em 19/06/2006 16h19
Reuters
Juninho Pernambucano administra a questão típica de qualquer reserva, jogar ou não jogar, com uma atitude de dois gumes. Ele se mantém pronto física e tecnicamente para entrar em campo a qualquer momento, enquanto mentalmente toma o caminho inverso.”A gente tem que ficar preparado para não jogar e não atrapalhar. Isso é muitas vezes mais difícil do que ficar pronto para jogar. Eu aqui tenho pensado muito nisso, de ficar preparado para não jogar sem atrapalhar o ambiente da seleção”, disse ele na segunda-feira, indicando que um jogador suplente precisa tomar cuidado para não pressionar demais o treinador, e com isso criar tensão dentro do grupo. Juninho discorda, elegantemente como sempre faz, da tese endossada pelo técnico Carlos Alberto Parreira de que os reservas da seleção do Brasil formariam um time igual ou melhor do que muitas outras seleções, e certamente melhor do que a Croácia, primeiro adversário do Brasil na Copa. “Eu acho que nós temos condições de jogar, e jogar para vencer. Poderíamos perder também por isso, é um risco para o treinador colocar o time inteiro dos reservas em campo. A falta de ritmo de jogo poderia nos prejudicar”, disse ele, lembrando mais uma vez que todos têm condições de jogar e honrar a camisa se o técnico optar por escalar alguns reservas para o jogo contra o Japão, na quinta-feira, o último pela fase de grupos. Com a vitória por 2 x 0 sobre a Austrália no domingo, o Brasil já garantiu sua vaga nas oitavas-de-final da Copa do Mundo. Juninho já foi tratado como o 12o. jogador no time de Parreira e hoje, com o sucesso de Robinho e Fred, não sabe em que ordem seu nome aparece na cabeça do treinador. “Na camisa o meu número é o 19, mas eu não penso se sou o 12o. ou qualquer outro. Acho que as coisas não funcionam assim no futebol. Penso desta forma para estar motivado”, disse ele, explicando ainda que se pudesse escolher um adversário, gostaria muito de enfrentar a França, onde estão muitos de seus amigos do Lyon. Juninho, como todos, passa a bola da decisão para o técnico Parreira, mas já não consegue esconder a vontade. “Eu quero jogar”, disse ele na entrevista coletiva, para todo o mundo ouvir.





