29/11/2006 10h59 – Atualizado em 29/11/2006 10h59
MS Noticias
Os presidentes dos dois mais tradicionais clubes de futebol profissional de Mato Grosso do Sul estiveram na manhã desta quarta-feira (29 de novembro) na Câmara dos Vereadores de Campo Grande, para solicitar o apoio dos parlamentares da Capital na recuperação da história do esporte na cidade. Luiz Ojeda, do Esporte Clube Comercial, e Toni Vieira, do Operário Futebol Clube, aproveitaram espaço aberto durante a sessão de para divulgar a realização do “Jogo da História”, que reeditará o clássico Comerário e contará com a participação de atletas de renome nacional e daqueles que participaram de conquistas do Galo e do Colorado.
O Comerário está marcado para o dia 10 de dezembro, às 16h, como atração principal em um dia de várias atrações no Estádio Morenão, que abrirá seus portões mediante a contribuição dos torcedores: o ingresso será um quilo de alimento não-perecível, a ser doado para instituições de caridade. Partidas envolvendo as categorias de base dos clubes, empresários e imprensa serão realizadas a partir do meio-dia.
O jogo de fundo terá dois momento: no primeiro tempo, atletas da Velha Guarda do Comercial e Operário entram em campo para lembrar os tempos de glória dos clubes, que já fizeram parte da elite nacional. No segundo tempo, jogadores como Alberto (ex-Santos e Coritiba), Alex Dias (São Paulo), Dubinha (Paraná Clube), Carlão (Vasco), Tiago e William (Botafogo) e Lucas (Grêmio) se unem a nomes como Chaveirinho e Tainha, que ergueram a taça de Campeão Sul-mato-grossense por ambos os clubes. Ojeda e Vieira estiveram na Câmara, onde apresentaram aos vereadores o uniforme especial para o evento – que une em uma camiseta as cores de ambos os clubes, ao lado das empresas que apóiam a partida. O vereador Marcos Alex (PT), presidente da Comissão de Educação, Cultura e Desporto, saudou os dirigentes em nome da Casa, e ressaltou a importância do “Jogo da História”. “Esta é uma festa que resgata a história de nosso futebol, em uma época em que as tardes de domingo eram passadas no Morenão lotado. Hoje não vemos mais essa movimentação. Falta esporte, mas principalmente falta o nosso esporte. Resgatar o nosso futebol é resgatar parte da história de nossa gente”, ressaltou. Realidade – Comercial e Operário fizeram parte da elite do futebol nacional, entre o fim dos anos 60 e o término da década de 80, a ponto do Comerário ser considerado por alguns nomes da crônica esportiva estadual como o clássico mais importante do Centro-oeste naquele período. O Galo, campeão do Módulo Branco do Campeonato Brasileiro em 1.987 (equivalente a atual Série C) e terceiro colocado do módulo único em 1.977, é o maior detentor de títulos estaduais: são 14 conquistas, quatro delas ainda na época do Mato Grosso unificado. Já o Colorado ergueu o troféu de campeão em sete ocasiões, figurando também na Primeira Divisão nacional. Hoje, os times dividem uma realidade comum. Afundados em dívidas, e envolvidos em polêmicas sobre o uso de suas sedes, os clubes restringiram suas participações profissionais a torneios estaduais – sendo que nem sempre participam dos campeonatos por conta da falta de recursos. Luiz Ojeda informa que, hoje, as dívidas do Comercial chegam a R$ 1,5 milhão, e o problema mais urgente, envolvendo a perda de sua sede por conta de dívidas trabalhistas, está em fase de resolução. “Conseguimos resgatar o decreto de doação, de 1.954, que estabelece o retorno da área ao município no caso de uso para outro fim que não seja o esporte”, explicou.
Já os débitos do Operário Futebol Clube ultrapassam R$ 4,8 milhões, de acordo com Toni Vieira, dos quais R$ 3,4 milhões são referentes a problemas com a Receita Federal. A sede principal, na vila Bandeirantes, já não pertence mais ao clube, que concentrou seus trabalhos no bairro Santa Mônica. Os dirigentes apontam suas esperanças de recuperação para medidas tomadas no setor público, como a criação da Timemania – loteria federal que reverteria 20% de sua arrecadação diretamente para a quitação de dívidas dos times brasileiros. Além disso, a renegociação de dívidas em até 300 meses tornaria viável, como acredita Toni Vieira, a quitação de compromissos e manutenção de um elenco. O restante da verba para manutenção do clube viria da reativação do quadro de associados, além de parcerias com a iniciativa privada.
Já Luiz Ojeda acredita que a criação de uma “Timemania estadual ou municipal”, através de lei na Assembléia Legislativa ou na Câmara dos Vereadores, seria uma alternativa para oxigenar a renda dos clubes. Ele também considera que a loteria pode minimizar os problemas financeiros, abrindo brechas para a retomada dos investimentos no futebol.





