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terça-feira, 12 de maio de 2026

R$ 50 a mais e desemprego demais

02/02/2009 17h18 – Atualizado em 02/02/2009 17h18

Por Hans Misfeldt

Cinquenta reais é o valor do aumento que o Governo Federal anunciou para o salário mínimo, fazendo com que a folha passe de R$ 415 para R$ 465 a partir do primeiro dia de fevereiro.

Parece pouco, mas segundo Carlos Lupi, ministro do Trabalho, esse aumento deverá injetar na economia brasileira cerca de R$ 21 bilhões por mês. Serão beneficiados 45 bilhões de pessoas, entre aposentados e pensionistas. Na última sexta-feira, o ministro informou que “o reajuste é uma forte fonte de aquecimento da economia do país […], vamos ter mais gente consumindo, mais produção e mais emprego”.

Mas a realidade não caminha de forma tão positiva como o ministro afirma. A crise econômica mundial afeta o setor trabalhista brasileiro de tal maneira que o corte de vagas parece estar mais vivo do que nunca.

Segundo dados levantados na PME (Pesquisa Mensal de Emprego), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o desemprego bate a porta das mulheres, dos pretos e pardos, dos jovens e das pessoas que possuem o Ensino Médio. Para se ter alguns exemplos, o percentual dos desocupados do sexo feminino é de 58,4%. Em 2003, 39,9% era o percentual dos que tinham apenas 11 anos de estudo – em dezembro de 2008, chegou à casa dos 53,6%.

A situação é sim calamitosa e preocupante. Pode-se aumentar o salário mínimo o quanto for, mesmo que isso não influencie diretamente o setor privado – as empresas não têm condições de garantir por quanto tempo poderão segurar o funcionário. Diferentemente do acordo efetivado entre funcionários e diretores da empresa VALEO, fabricante de faróis e lanternas automativos, na zona sul de São Paulo, em que eles reduzirão um dia da jornada de trabalho com redução de salário, a maioria das empresas ainda preferem demitir e garantir um fundo de reserva.

Por esse motivo, a população brasileira procura estabilidade. Abrir o próprio negócio é algo tão burocrático no Brasil, cheio de impostos, empecilhos e outras tantas coisas mais – sempre favorecendo o Governo a tirar uma taxinha daqui e ali – que pouca gente ainda arrisca ter a sua própria fonte de renda.

A busca do momento são os concursos públicos. O povo brasileiro agora está interessado em entrar pro governo, fazer parte do setor público, receber um bom dinheiro sem medo de ser feliz e ter a garantia que, no dia seguinte, por mais que faça ou não faça nada no trabalho, não perderá o emprego.

*Hans Misfeldt, 20 anos, é estudante de jornalismo em São Paulo. Criador do site www.tutube.com.br, escreve especialmente para este jornal.

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