06/06/2018 14h11
Necessidade da aprovação de lei com a restrição é principal definição de audiência pública
Redação
mostrou aos presentes impactos negativos do fracking, principalmente na Argentina, onde a Coesus, junto com autoridades brasileiras, verificaram a situação.
A ativista enumerou muitos problemas: alto consumo de água, depósitos inseguros de produtos químicos usados juntamente com a água para o processo de fraturamento, vazamentos de gás para o ar e para corpos de água, presença de águas inflamáveis e tóxicas (com risco de acidentes e mortandade de animais), alto índice de mortalidade pós-natal de crianças (30% em média), presença de chuva ácida, emissão de gases com a queima nas chaminés, queda no valor imobiliário, queda e até suspensão da exportação de produtos agropecuários, como as maçãs, na Argentina. Aqui, ela avalia que soja, celulose e carne da região estariam ameaçados, com barreiras junto ao mercado internacional, caso sejam abertos postos de prospecção.
Sueli Röcker continuou mostrando problemas que as regiões onde há exploração do gás de xisto enfrentam. Também citou a lei federal 13.586, de 28 de dezembro de 2017, na qual o governo isenta as petrolíferas de pagar impostos federais como incentivo para compra de áreas de exploração, resultando em R$ 1 trilhão para os cofres da União.
O técnico ambiental e ambientalista, Manoel Pimenta, usou a palavra e disse que é necessário que as autoridades permitam o que é bom para o município. Sobre o gás de xisto, ele destacou que o processo de fissura das rochas para extração do gás pode contaminar os lençóis freáticos e os aquíferos. Em sua opinião, a riqueza a ser explorada é justamente a da água. Ainda declarou que a possibilidade de criação de postos empregos não pode comprometer o meio ambiente.
A professora-doutura Kaelly Virgínia de Oliveira Saraiva, disse que é preciso realizar mais pesquisas e estudos e, sob qualquer dúvida, o melhor é não promover a extração de gás de xisto, pois os riscos ambientais e sociais são grandes, principalmente para famílias mais carentes. Natural do Ceará, ela afirmou que ficou encantada com a natureza local e com a qualidade da água de Três Lagoas e convidou a todos para se engajarem na luta pela não exploração do gás de xisto no Brasil.
O promotor de Meio Ambiente, Antônio Carlos Garcia de Oliveira, parabenizou pela iniciativa de discutir a questão e disse que a Promotoria de Justiça está a postos para também entrar na luta.
O vice-prefeito Paulo Salomão ressaltou a importância do debate sobre a extração do gás de xisto, um assunto que sequer a sociedade conhece. Para ele, é necessário que seja provado que não haverá danos e riscos para que o município apoie. “Até que se prove ao contrário, sou contra a extração”, disse.
O professor André, da UFMS, presente na plateia, informou que a extração no Brasil é em níveis muito mais profundos do que no Canadá e Estados Unidos. Aqui, passaria pelos aquíferos presentes na região, o que potencializa os riscos de contaminação de águas subterrâneas. Para ele, o município já tem sido “suicida” na gestão dos recursos hídricos e não pode permitir o fracking.
(*) Assessoria de Comunicação

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