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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Exportação de produtos florestais já é o segundo do agronegócio nacional e Três Lagoas tem participação vital nos números

26/06/2018 09h02

O Brasil hoje é o 3º maior exportador de celulose do mundo; Três Lagoas, com mais de 5 milhões de toneladas de produção anual, corresponde à metade das exportações do MS

Gisele Berto

Os produtos florestais têm se destacado na pauta de exportações do agronegócio, atingindo a segunda posição entre os principais segmentos da balança comercial do setor no período de janeiro a maio deste ano. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Agricultura o volume exportado alcançou US$ 5,75 bilhões nesses primeiros cinco meses, em alta de 30,5% em relação ao mesmo período do ano passado, sendo superado apenas pelas vendas de soja e à frente da exportação de carnes.

O principal produto florestal é a celulose com valor recorde de US$ 3,51 bilhões. A quantidade exportada também foi recorde com 6,5 milhões de toneladas (+14,0%) e o preço médio de exportação subiu (+28,5%).

A PARTICIPAÇÃO DE TRÊS LAGOAS

De janeiro a maio de 2018 o crescimento dos números de exportação de celulose foi de 87,63%, com 1.634.137 toneladas. Três Lagoas permanece como principal exportador do Mato Grosso do Sul para o exterior concentrando praticamente metade dos valores exportados, cerca de 48%, apresentando crescimento de 83,88% em relação ao mesmo período do ano passado. Em termos de destino das exportações há uma concentração nas exportações para a China, representando de janeiro a maio de 2018, cerca de 49,92% do valor total das exportações.

As duas maiores empresas de Três Lagoas, Eldorado e Fibria, produzem, apenas nas plantas locais, mais de 5 milhões de toneladas do produto ao ano, grande parte destinada à exportação.

O Brasil hoje é o 3º maior exportador de celulose, participando com 13,2% do mercado mundial de US$ 47,98 bi. Do total da produção brasileira 69% destina-se à exportação.

Segundo dados do IBGE, as florestas plantadas ocupam atualmente 10 milhões de hectares, o que corresponde a 1% da área agricultável do país.

“O clima, o solo e a tecnologia que dispomos no País permitiram que atingíssemos as maiores produtividades médias por ano do mundo”, explica o engenheiro agrônomo João Salomão, coordenador geral de Florestas e Assuntos da Pecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Em 2016, o Brasil liderou o ranking global de produtividade florestal, com média de 35,7 m³ ha/ano no plantio de eucalipto e 30,5 m³ ha/ano no plantio de pinus, de acordo com os dados da Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ). A China está em segundo lugar com 29 m³ ha/ano (eucalipto) e 20 m³ ha/ano (pinus). Moçambique é o terceiro com 25 m³/ha ao ano (eucalipto) e 12 m³/ha (pinus).

“A produtividade brasileira é maior que a de nossos concorrentes e ainda oferecemos produtos a preços mais competitivos no mercado mundial. Estamos aliados, naturalmente, ao desempenho das empresas brasileiras com âmbito internacional de atuação, bem relacionadas no mercado exterior, o que nos garantiu que alcançássemos números de produção e exportação bastante expressivos”.

A velocidade de crescimento da área de plantio é de 100 a 200 mil hectares/ano, variação que depende da demanda dos consumidores internacionais e das condições econômicas. O Plano Nacional de Desenvolvimento de Florestas Plantadas prevê incremento de 2 milhões de hectares de florestas plantadas até 2030.

O aumento de 20% da área plantada nesse prazo é uma estimativa “bastante conservadora”, segundo Salomão. “A meta é bem possível de ser alcançada.”

A IMPORTÂNCIA DAS FLORESTAS PLANTADAS NO MEIO AMBIENTE

Salomão acredita que apesar de grande potencial de crescimento, em razão dos níveis de produtividade, das pesquisas e de novas tecnologias, o setor ainda enfrenta “reações com viés ideológico”, de críticas às culturas de pinus e de eucalipto que seriam causadoras de danos ao meio ambiente.

O efeito é inverso na opinião do engenheiro agrônomo.

“Na verdade, todos os compromissos brasileiros relacionados às mudanças do clima – como o Acordo de Paris, por exemplo – sugerem que devemos aumentar as áreas de florestas plantadas. As pesquisas e os dados hoje comprovam que as florestas plantadas são importantes para a conservação do meio ambiente, benéficas para a fixação de carbono e a retenção de água no solo.”

Salomão indica que há outro efeito indireto, essencialmente benéfico para o meio ambiente. Somente a área agricultável de 1% com florestas plantadas atende a 90% da demanda de produtos florestais para a indústria brasileiras.

“Se estamos consumindo florestas plantadas”, conclui Salomão, “contribuímos para preservar as florestas primárias”.

No entanto algumas legislações estaduais, a exemplo do Rio Grande do Sul, exigem licenciamento ambiental que trata floresta plantada como atividade de alto potencial poluidor.

“Se plantar florestas é bom, no mínimo devemos questionar a necessidade desse licenciamento. Plantio de floresta não pode ter exigência de licenciamento semelhante ao de uma mineradora”.

Duas outras barreiras que bloqueiam o aumento da produção de florestas plantadas estão relacionadas ao crédito e à logística.

“É preciso dispor de crédito adequado à característica de longo prazo do setor, que demanda de 12 a 15 anos para a colheita, como é o caso de pinus. As nossas linhas de financiamento precisam estar ajustadas a esses prazos. A logística é também importante. A floresta não se transporta por longas distâncias. Precisamos de logística adequada, acessível para escoamento da produção”.

No Plano Agrícola e Pecuário (PAP 2018/2019) há linha de crédito de até R$ 5 milhões por projeto.

O terminal da Eldorado Brasil no Porto de Santos está equipado com o que há de mais moderno em tecnologia de manuseio de carga e garante uma economia anual de custos logísticos na ordem de R$ 80 milhões à empresa (Foto: Ricardo Ojeda)

O Terminal Intermodal em Aparecida do Taboado construído pela Fibria foi inaugurado em dezembro do ano passado e garante o transporte da produção das duas unidades de Três Lagoas até o Porto de Santos via ferrovia (Foto: Divulgação)

Gráfico mostra evolução das exportações de produtos florestais. Fonte: Ministério da Agricultura.

Florestas plantadas da Fibria têm até monitoramento por câmeras para reconhecimento de fauna e prevenção de incêndios. Foto: Divulgação.

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