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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Estrangeiras pedem ao Cade participação na análise de compra da Fibria

23/07/2018 16h12

Redação

Duas concorrentes estrangeiras da Fibria e da Suzano Papel e Celulose pediram ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para participar do processo na autoridade antitruste que vai julgar a compra da Fibria pela Suzano. A americana International Paper (IP), que tem há anos operações no país, e a indonésia Royal Gold Eagle (RGE), que acaba de comprar mais uma fábrica de celulose no Brasil, registraram na semana passada seus pedidos para opinar durante a tramitação do ato de concentração – como são chamadas as fusões e aquisições no jargão antitruste.

Além de permitir um acompanhamento mais próximo do processo, os terceiros interessados podem recorrer da decisão da Superintendência Geral (SG) do Cade caso discordem. A tramitação de um processo no Cade passa primeiro pela SG, que tem o poder de aprovar o negócio sem restrições ou impugnar o negócio, o que remete a decisão final para o plenário da autarquia composto por seis conselheiros e um presidente.

Em sua petição para pedir a entrada no processo, a International Paper apontou que suas atividades, “inclusive sua relação com a Fibria no município de Três Lagoas (MS) (Chamflora), podem ser afetadas pela operação”. Uma das maiores fabricantes de papéis e embalagens do mundo, a IP tem uma fábrica de papel praticamente integrada à unidade da Fibria em Mato Grosso do Sul — a celulose chega diretamente à máquina de papel, por meio de um duto — e contrato de fornecimento de matéria-prima de 30 anos, inicialmente, que pode chegar a 90 anos.

Além de celulose, a Fibria fornece energia, água e vapor para essa unidade da IP e recebe os efluentes gerados na operação de papel. A companhia americana opera, dentro da área da Fibria, uma base para produção de carga mineral, que é usada para revestimento do papel.

Já a RGE apontou que “é parte de um grupo econômico que atua como concorrente das requerentes no Brasil e no exterior, tendo interesse legítimo de acompanhar a análise do ato de concentração”. Além disso, a empresa asiática apontou que Fibria e Suzano “deixaram de apresentar dados de mercado e informações públicos ou que já tenham sido previamente divulgados e relativos a terceiros”.

Esses dados, continua a petição, referem-se à estrutura de oferta e de demanda, da análise de poder de monopsônio — quando há um único comprador para o produto vendido por diversas empresas — e das condições de entrada no mercado e de rivalidade. “Assim, requer-se que essa Superintendência determine que tais dados e informações de mercado sejam apresentados de acordo com a regra de publicidade já que apenas após estes dados e informações forem devidamente apresentados em sua forma pública poderá a RGE verificar os impactos do Ato de Concentração”, continua a empresa.

Dono de duas produtoras de celulose e papel, a April (na Indonésia) e a Asia Symbol (na China), e controlador da Bracell Limited, dona da Bahia Specialty Cellulose (BSC), produtora de celulose solúvel em Camaçari (BA), e da Copener Florestal, o grupo RGE assinou em maio a compra da Lwarcel, que produz celulose de eucalipto em Lençóis Paulista (SP). O valor da operação não foi revelado, mas segundo fontes de mercado o ativo estaria avaliada entre R$ 1,8 bilhão e R$ 2,7 bilhões. A Lwarcel concorre com Suzano e Fibria no mercado de fibra de eucalipto, com produção de 250 mil toneladas por ano — juntas, Fibria e Suzano poderão produzir 11 milhões de toneladas anuais.

O Cade precisa autorizar a entrada de terceiros interessados no processo. O prazo para que outras empresas e demais entes que atuam no setor se cadastrarem como terceiros interessados vai até o fim de julho.

(*) Valor Econômico

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